segunda-feira, 29 de outubro de 2007

SOBRE A SANTIDADE!


Santo é o pecador que se vê como tal e do alto pede apenas a misericórdia divina sobre ele confessando com as verdades do coração que de fato ele é pecador para sempre e que não há solução para a sua própria condenação senão a Cruz de Cristo que livra o ser de toda a culpa, pois, de fato, na Cruz, Cristo reconciliou o homem a Deus, e estabeleceu a Paz para todo o sempre, livrando-o da condenação para sempre, pois, como Ele mesmo disse "Está consumado", acabou, a obra da salvação está feita: Está consumado!

Talvez deveria aqui terminar o assunto, mas proponho-me a falar sobre o que foi inventado como "ser santo" no meio religioso cristão. "Santidade", esse termo que se tornou emblema de medo e pânico, pois, sem a qual ninguém verá a Deus.

Nessa frase (sem a qual ninguém verá a Deus) se estabelece tudo contra o que Deus estabeleceu em Cristo na Cruz. Em Cristo Deus estabelece a Paz, nos templos, onde se diz habitar Deus, estabelece-se o medo; em Cristo Deus estabelece a reconciliação de todo o homem a Deus, nos templos cristãos se estabelece a separação por causa do pecado que nos habita; em Cristo Deus estabelece a vida eterna, nos templos evangélicos se estabelece o pânico por medo do inferno e da morte eterna; em Cristo Deus se revela em Graça e Verdade, nos cultos se revela um "cristo" que é condenador harbitrário e que estabelece um tipo de vida semelhantemente militar, regras, regras, regras e mais regras, e quem não se bancar vai pro lago de fogo.

"...Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados..."( 2 Coríntios 5:19), isso, não se faz ouvir, sendo ironicamente essa a Boa Nova do Evangelho, e sem essa verdade não há Verdade, nem Caminho e muito menos Vida. Há somente a ressurreição daquilo pelo qual Cristo se entregou e destruíu: a morte, o medo, o inferno e a condenação eterna. É justamente por isso que o apóstolo Paulo diz que todos os que por sí mesmos tentam se justificar diante de Deus caíram da Graça, e separados estão de Cristo, pois, foi justamente isso que Cristo veio fazer, justificar o homem perante o Pai, sendo que, se o indivíduo se auto-justifica não é necessário Cristo, por isso Paulo diz "Não faço nula a graça de Deus; porque, se a justiça vem mediante a lei, logo Cristo morreu em vão".

Ser "santo" nada tem a ver com o pacote comportamental que ditam para que seja cumprido com a premissa de que quem cumpre é "justo", quem não cumpre é "pecador". Isso é uma mentira descarada e sem vínculo nenhum com o Evangelho. Aliás, quando foi que Cristo assumiu em sí mesmo um desses pacotes criados pelos homens? Essas coisas do tipo "não toques, não proves, não manuseies"? Aliás, a pergunta é: "Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne"(Cl. 2: 20-23). Quem está morto já não vive para tais coisas, pois, de fato, está morto, mesmo. Todas essas coisas ficaram para trás, esquecidas no "nunca mais", já não existe, não tem valor algum. Sim, a religião que se baseia em pacotes comportamentais produz somente domínio das ações humanas através da repressão de sentidos e desejos. Produz o "adestramento" do ser, o clone segundo as regras e ditos e leis, mas nada pode transformar, posto que a Lei e as regras não tem vida em sí mesmo e por isso não pode doá-la a ninguém. Todos os que tentam se bancar diante de Deus por meio do orgulho promovido pelo cumprimento de seja qual lei for, saiba, cale-se diante Dele, pois, não há nenhum indivíduo sequer que possa abrir sua boca diante Dele e dizer "eu mereço", "eu cumpri", "eu sou Justo", pois, é assim que também se diz: Cristo é desnecessário. Não, não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus. Por isso Cristo disse: "Não fostes vós que escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós outros..." Essa é a Verdade para a vida, não o encontramos mas fomos por Ele encontrados; não produzimos nossa própria justiça mas fomos pela morte Dele justificados para sempre; não somos santos por meio de nenhum comportamentalismo adotado mediante o que quer que seja, que lei que seja, mas Nele somos feitos Santos e livre de qualquer acusação, portanto, "já não há mais condenação para os que estão em Cristo", pois, foi justamente para que a condenação fosse destruída que Ele morreu oferecendo-se a sí mesmo como paga pelo pecado da humanidade, assim, satisfazendo em sí mesmo a Justiça de Deus revelada na Lei e no coração humano.

Assim, a justiça não vem da obediência à lei mas é mediante a fé naquele que foi Justo e que em sua morte-Cruz justificou a pecadores.

Ser "santo" é crer-se Nele justificado para sempre e viver em Paz com a certeza de que Ele de fato foi suficiente, e quanto ao que Ele fez nada há que possa ser acrescentado: Está Consumado! Acabou! Está feito!

Creia apenas e viva!

"Porque não foi pela lei que veio a Abraão, ou à sua descendência, a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo, mas pela justiça da fé. Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é anulada. Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão. Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós". (Rm 4: 13-16)
"Não faço nula a graça de Deus; porque, se a justiça vem mediante a lei, logo Cristo morreu em vão". (Gl 2: 21)

A condenação é justificar-se a sí mesmo, pois, assim "separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça decaístes" (Gl 5: 4).

Nele, em quem estou livre de toda a condenação, apenas creio e caminho, em Paz para sempre, Amém!

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