segunda-feira, 29 de outubro de 2007

CONSELHOS...


Dizem por aí que "se conselho fosse bom, seria vendido". Bom, frase de quem tem o coração em Mamom, o deus do dinheiro, o que não é nada assustador nos dias de hoje, dias em que o capitalismo só é selvagem porque coloca o homem à venda, e as "coisas" tem valores semelhantes ou de mesma natureza que qualquer ser humano.

Ricardo Gondim resolveu dizer que se fosse mais velho daria muitos, e muitos conselhos, no entanto não esperou chegar até lá: ..."Eu deveria esperar para dizer essas coisas quando estivesse mais velho. Por impetuosidade acabei dizendo antes do tempo. Contudo, acredito que não me arrependerei de tê-las dito agora". Que bom meu mano em Espírito que você não esperou até lá. Suas palavras são medicina para a alma.

Enfim, se eu, também, fosse mais velho...

... Diria aos jovens que não buscassem entender a vida, mas que apenas buscassem descanso e Paz para as suas almas. Diria que muitos chegarão bem perto do fim de suas vidas e descobrirão que o "fim" que procuravam era a própria vida, pois, a vida é o fim para o qual concorre todas as coisas.

... Aconselharia que buscassem a transformação da consciência. Recomendaria que perscrutassem suas próprias almas para que vissem o que não lhes é próprio, mas o que lhes foram imputados como cultura social ou familiar, religiosidade, enfim, influências diversas. Afirmaria que muitas das coisas que achamos que fazemos por nós mesmos, na verdade são ações e feitos condicionados às influências que estamos submetidos. Recomendaria que cada um cuidasse do próprio coração segundo e seguindo o Espírito de Cristo.

... Diria que discussões sobre Deus de nada valem, pois, Deus não é um discurso, ou uma tese, ou uma afirmação a ser feita. "Deus" pode ser apenas uma desculpa para se auto-afirmar diante dos outros, ou para se passar por mais "espiritual", ou "sábio". Diria que "verdade é que alguns pregam a Cristo até por inveja e contenda". Sim, falam de "Deus" mas não o conhecem nem procedem como Ele. Afirmaria que, na maioria das vezes, essas discussões são sobre "deuses",ou "d-EU-ses", não há nelas a Verdade em Amor do Espírito, que produz o contentamento e Alegria. Recomendaria que procurassem conhecer o Amor do Pai revelado em Cristo, pois, esse é o segredo de todas as coisas: "Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados". Sim, em se conhecendo o Amor do Pai então discerniremos o que de fato é Amor, pois, Amor Ele É, e só assim se pode amar como Ele nos amou. Portanto, só conhecendo o quanto Ele nos amou primeiro é que então passaremos a seguir o caminho da vida nesse mesmo Amor e Vida.

... Diria aos jovens que não se preocupassem com o amanhã, mas que confiassem em Deus. Afirmaria que o "amanhã" só existe para quem se preocupa com ele no dia chamado "Hoje", e que bem nenhum traz ao coração tal ocupação da mente, posto que sobrecarrega produzindo no coração ansiedades e aflições de espírito. Deixe que o "amanhã" traga suas próprias preocupações quando vier a ser "hoje". Recomendaria que vivessem o presente, pois, na verdade, o presente é só o que há para viver mesmo. Perguntaria, no Espírito de Cristo: ... "Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?" Portanto, cuide do do coração no dia chamado "Hoje", pois nele acontece a vida e o chamado de Deus, e nele é que se encontra descanso para a alma.

... Diria que a vida é uma só em sua complexidade. Não há dicotomias, ou tricotomias no chão da existência. Há apenas a vida mesmo, como diz Drummond, "sem mistificações". Recomendaria que fizessem uma análise em paralelo à vida de Cristo e que procurassem Nele os momentos em que Ele foi "espiritual" e "carnal"; o momento em que Ele estava na presença de Deus e os que não estava; em que momento ele era santo e em qual ele não o era?; em que momento ele não viveu em adoração a Deus?; Cristo é espiritual quando ora e quando come; adora quando dá sermões e quando bebe vinho. Nele somos espirituais quando comemos, bebemos, ou ouvimos uma boa música que fala seja lá do que for, do amor, da desilusão, da dor, da alegria, enfim, Nele somos o que somos: Seres espirituais sem dicotomias esquizofrênicas.

... Diria aos jovens que a vida não se resume ao "amor" da vida, ao "sonho" ou "realização". Nenhuma dessas coisas após serem conquistadas poderá se instituir como "início da felicidade". Recomendaria que apaziguassem os seus corações no leito do Evangelho, e que Nele fossem felizes para sempre, em Paz com Deus e consigo mesmo.

Bom! Deveria ter feito como Gondim, esperado a minha velhice para dizer tais coisas, mas, também, como ele creio que não me arrependerei de tê-las dito.

Nele, que é Vida para a vida Hoje.

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