segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

DEUS ESTÁ MORTO


“Já ouviu falar daquele louco que acendeu uma lanterna numa manhã clara, correu para a praça do mercado e pôs-se a gritar incessantemente: “Eu procuro Deus! Eu procuro Deus!". Como muito dos que não acreditam em Deus estivessem justamente por ali naquele instante, ele provocou muitas risadas... “Onde está Deus!”, ele gritava. “Eu devo dizer-lhes: nós o matamos – você e eu. Todos somos assassinos... Deus está morto. Deus continua morto. E nós o matamos...”

- (Friedrich Nietzsche, Gaia Ciência (1882), parte 125.)

Sem querer fazer uma hermenêutica acerca desse texto, aqui me aproveito de tal declaração apenas para colocar à luz aquilo que por nome de "Luz" são, nada mais nada menos que, "Trevas": O Judaísmo-Cristão.

Chamo de Judaísmo-Cristão justamente o Cristianismo protestante, pois, não tem como não chegar a outra conclusão que não essa de que regrediram ao "judaísmo", voltaram àquilo de que Cristo nos tirou, voltaram àquilo que matou Cristo. Sim, dentro do sistema protestante ecoa nos ventos e no espírito das pessoas: Deus está morto... Nós o matamos! Falo isso como quem se colocou do lado de fora, e de lá olhou para aquilo a que antes pertencia. Não há Deus naquilo. Nãó há Cristo. Não há consciência da Cruz. Não há Caminho, nem Verdade, nem Vida. Há engano, e engano de morte. Sim, porque pregam a "renúncia" à vida, "que pregrem pois a renúncia à vida e que eles também desapareçam". Não vida brotando daquele lugar, não há paz saindo em forma de mensagens, não há a mensagem da RECONCILIAÇÃO a qual diz Paulo, não há a "LIBERDADADE" a qual fomos chamados por Cristo, não há a inclusão do próximo, não há Amor sem barganhas, não há Deus. Há muitos "deuses" os quais dominam e oprimem as almas das pessoas que ali cultuam sem discernir tais espíritos, sem provarem se vem de Deus ou não. Aliás, Deus naquele lugar é só um "nick", ou um "slogan" ou ainda uma "grife", nada tem a ver com o Espírito que insurge de Cristo em sua vida-carne-osso-e-existência. Adoram "outro" que não Deus, seguem "outro" que não o Evangelho, caminham "outro" que não o Caminho a qual Cristo diz Ser, dizem andar conforme a verdade mas que é "outra" e não aquela a que Cristo declarou Ser, e vivem conforme seus paganismos enrrustidos e maquiados mas também é "outro" que não aquela Vida que Cristo diz Ser. Lá não se houve a mensagem da Cruz, de que "Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo", e na verdade, não suporta tal mensagem visto que se afogam em suas batalhas espirituais sem discernir que não há guerras nem batalhas a serem feitas porque em Cristo todos os principados e potestades foram despojados e expostos à vergonha sendo desmarcados e colocados diante do mundo como aqueles os quais nunca tiveram poder algum mas que apenas se alimentam do medo que as pessoas tem por eles, nada mais. Suas batalhas e correntes tem haver com a falta de confiança em Deus, com o desespero de não entenderem a vida e assim dar um sentido idiota à ela de que a "luta" é contra o "Diabo e seus anjos", assim ficam louca-mente paranóicos, batalhando consigo mesmo pensando que o Diabo está nessa. É semelhante a alguém que se tranca no quarto e fica dando socos e ponta pés no ar dizendo: Vou te matar Satanás. Loucura. A briga está apenas na mente contra um Diabo que também só existe na mente, o qual sendo vencido (não me pergunte "como") trás uma sensação de paz e tranquilidade do tipo "venci o bom combate". Não! Não há a mensagem da Cruz, pois, o Diabo também foi exposto à vergonha e desmascarado para sempre, não há poder algum nele. Não há mensagem da Cruz, pois, se houvesse não mantinham as almas das pessoas trancafiadas naqueles templos por medo do inferno, porque, também, o inferno, foi desmascarado, e a Chave dessa coisa medonha foi posta nas mãos do Libertador e Salvador, por isso, não há mais do que ter medo. Sim, aquele lugar seria o lugar para o qual Cristo viria e nenhum deles o receberiam, é por isso que Cristo tem feito filhos deles por aqueles que crêem na loucura do Evangelho que é esse: Está Consumado, está feito, a obra da Salvação foi concretizada para sempre, a reconciliação está feita, acabou! Deus está morto naquele lugar, Cristo está morto lá, o Evangelho está morto lá, Cristo se tornou inútil ali. Retornaram àquilo que foram tirados, ressuscitaram aquilo que em Cristo foi morto, mataram Deus, os porcos voltaram a revolver-se nas porcariadas de suas alma pagãns, os cães se voltaram ao seus próprios vômitos, àquilo que seus próprios estômagos produziam. Seu Deus não é outro senão seus próprios estômagos reunidos para celebrarem o engano e a baganha com Deus.

Nele

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

MINHA SOLIDÃO


Me sinto só.

Me sinto três vezes só.

Me sinto só a respeito da vida, de mim mesmo e de Deus.

Me sinto só a respeito da vida... Do lado de fora há coisas indesejáveis a qualquer ser humano, o incrível é que ele insisti em comer esterco como quem come um manjar, e ainda faz uma cara boa. Será que não enchergam o que colocam para dentro de sí mesmos? Me impressiona a estupidez do homens, digo esses do sexo masculino, estupidos, idiotados, como diria Rubem Alves, a morte as vezes leva aqueles que deveriam ficar e deixa esses que não fariam falta nenhuma. Então se esses não vão o desejo de ir passa a ser todo meu. Desejo de morte. Isso porque ela me invade antes mesmo de aproximar-me da sepultura a cada vez que vejo esses seres que não me trazem esperança e muito pelo contrário me faz desejar estar em outro lugar onde não os veja nem o os enxerguem. Não só homens mas também mulheres, embora creio que há mais mulheres gente boa do que homens, mas ambos, em sua maioria, se tornaram filhos da imbecilidade, se tornaram idiotas mesmo. Transformaram a vida nessa roda gigante que não para mais. Quem poderá estancar esse mal da humanidade? Essa indiferença? Esse cegueira? Quem poderá fazer valer o amor novamente? Pois mesmo hoje a palavra "amor" soa piegas e fora de "moda". Aliás, hoje o que existe é isso: Moda. Moda pra quem tem mau gosto, muito mau gosto. Quem poderá fazer valer o autruísmo como saúde para o próximo e para a alma de quem considera o o "outro" maior do que a sí mesmo? Quem fará parar a roda do egoísmo que gira sem previsão de fim e engole tudo o que vê pela frente? Afinal o nome desta roda é "Eu" e nada mais importa à ela senão ela mesma e quem a mantém girando são os seus fiéis humanos ego-cêntricos, ego-ístas. Como diria Drummond, "Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer". Sim, desejo de morte. Não que haja desinteresse e desistência da vida, mas desejo de se libertar desse circo que criaram onde os palhaços zombam de dia e de noite. Mas como segue o poema, "Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação". Minha pergunta ainda continua latente dentro de mim. Quem parará essa coisa que criamos? Isso porque a vida é boa, porém o que fizeram dela a tornou insuportável, como cruz sobre os lombos, como peso sobre a alma, e não há quem liberte-nos disso. Sim. Em que as nossas crianças se tornarão amanhã? Seus professores estão doentes e enfermos na mente-alma-coração. Quem elas serão amanhã? Serão elas mais um desses que mantém essa roda-gigante girando? Serão elas mais um desses seres mortos que, por isso mesmo, só produzem morte a partir de sí mesmos? Que Deus haja de misericórdia para com todos nós. Que não deixe essa doença se propagar. Sim, porque do lado de fora de mim mesmo, é só isso que vejo, e é isso que desejo, morrer para encontrar a vida, pois do jeito que tá a vida se tornou in-suportável. Me sinto só à respeito da vida que há dentro de mim. Conheço muito poucos que crêem-em-carne-osso-e-obras nas coisas belas da vida. Muito poucos que olham para as árvores e enxergam nelas seres que de fato estão vivos; que olham as flôres e vêem nelas sentido para as comparar à beleza de uma mulher, e não falo de estéticas nem de coisas superficiais, falo da beleza que elas ocupam em estarem ali, belas por sí mesmas, por serem simples e delicadas dentre tantas plantas do jardim do universo; belas pela sua pequenez e singularidade. Conheço poucos que poderiam chamar um ao outro de Amigo, mas digo Amigo mesmo. Esses pouquíssimos que andam no mesmo caminho, sem o desejo de enganar, sem o desejo de ser maior, sem esses desejos interesseiros e medonhos, sem esse desejo de usurpar a vida que há no outro para satisfazerem a sí mesmos. Mas ainda conheço "um" ou "outro" que me trazem lágrimas aos olhos, lágrimas de esperança e paz. Esses tem ouvidos que houvem, olhos que enxergam, lábios que proferem vida, coração pronto para acolher e incluir em amor que é santidade. Diria que esses são seres do quais o mundo não é dígno, esses são seres do quais a morte, levianamente, leva e deixa as podridões que deveriam partir para sempre. Me sinto só nessa caminhada da vida, pois, muito poucos acordaram e milhares ainda dormem um sono eterno, jazem em pé para sempre. Me sinto só, muito só.

Me sinto só com relação a mim mesmo... Pois também, para além de qualquer verborragia tenho o desejo de falar de Deus sem que ao menos cite uma palavra referente à Ele. Se nossas pregações tem se tornado filosofia que calemos nossos lábios e vivamos isso que chamamos de "Espírito e Vida". Sincera-mente, não sairia pelos becos gritando tal mensagem e Boa Nova por pensar que a "mensagem-verbo-rragia" é muito fraca perto da companhia e do acompanhamento vivo e bem de perto, e quem o faz, faz melhor do que quem apenas fala. Dizer que Deus reconciliou consigo mesmo o mundo é muito fraco perante o viver com tal consciência e deixar as paranóias de lado. Façamos o bem um ao outro, e o outro agradecerá pelo bem realizado, e nós também exultaremos de alegria. Não tenho vontade nenhuma mais de falar sobre Deus, que Ele se revele ao mundo, apenas tenho em mim a vontade de viver normalmente sem pensar neurótica-mente Nele, paranóicamente pré-ocupado com o que será que Ele está fazendo e do que Ele está se agradando ou não. Minha própria consciência condenará meus atos se são bons ou ruins, para isso não é necessário pensar em Deus, pois, todas essas coisas já estão reveladas em nós, pelo menos é o que creio, isso porque creio que que pensar em Deus seria lembrar do Amor e não de um ser com a lista de cobranças a fazer. Como diz Rubem alves, ninguém pára pra pensar no ar que respira mas quem está se afogando só pensa no ar, assim é aquele que pensa demais em Deus, é porque está se afogando. A mesma coisa digo para quem fala demais em Deus. Eu porém, desejo viver a vida e fazer coisas boas que seja do agrado do Pai, embora nem sequer creia ser necessário dizer seu nome ou quem me enviou, apenas vivo e se puder, pela Graça e misericórdia de Deus, reflita em mim algo que demonstre Ele, mas não busco mais mostrar para o mundo inteiro que conheço Deus, pois, que isso ninguém diga a seu próximo, pois, todos o conhecerão. Como diria Gondim, "Deus nos tem como filhos e não como servos", por isso creio e repito, viverei como filho e não com o espírito de um serviçal. Portanto, me divorcio das verborragias e das prega-ações desesperadas pela afirmação demasiada a respeito de Deus, da sua bondade ou seja lá do que for, eu agora, apenas vivo em minha loucura-sã de não falar daquilo ou dAquele que não conheço mais do que ninguém. Me divorcio dessa síndrome "evangelística" de sair por aí tentando forçosamente fazer "discípulos de Cristo", não é nesse espírito que caminho. Desejo fazer apenas amigos, e encontrar neles verdadeiros companheiros de caminhada, em amor e na santidade do amor.

Me sinto só com relação a Deus... Sim, porque para mim o morrer seria lucro, pois, após a morte estaria cara-a-cara com Ele por toda a eternidade de eternidade-em-eternidade para todo o sempre. Mas ainda faço parte desse corpo repleto de morte, dessa vida em que tudo o que toque há sombras de morte, tudo o que vejo há sombras de morte, tudo o que ouço há sombras de morte. E dessa vez não falo da morte que liberta mas da morte que mata a vida, mesmo. Há morte no trabalho feito pelas próprias mãos, por mais que desejo que seja duradouro e eterno sempre haverá morte; há morte nos relacionamentos e por mais que deseje que seja sempre amor ainda háverá inveja, egoísmo, indiferença, interesses, enfim, morte. Há morte na vida que por mais que deseje que seja Vida há sempre a morte. Sim. Para mim o morrer a morte que me leva à vida, é lucro. Pois me levaria à Deus e não mais seria eu revestido desse corpo de corruptibilidade mas, da mesma forma, seria eu tragado pela Vida. Pois essa é a minha esperança, "Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso SENHOR Jesus Cristo". Me sinto só com relação a Deus, pois, ainda habito em morte e conheço ainda em parte.

Nele.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

AME, SE PRECISO USE PALAVRAS


Veja o pobre que com dificuldade consegue o necessário para comer
Ele, sua mulher e seus filhos
Diga que o ama, se preciso use palavras

Veja o garoto abandonado pelo pai
Veja seus olhos carentes de afeto
Diga que o ama, se preciso use palavras

Veja o rejeitado pela sociedade
Não tem casa, não tem lar, não tem onde ficar, nem em quem confiar
Diga que o ama, se preciso use palavras

Veja o pai que morre aos poucos ao ver o filho nas drogas
Veja seu filho sendo morto pelas drogas
Diga que os ama, se preciso use palavras

Veja o casal que não encontra mais forças e nem motivos para continuar
Veja em seus olhos que tentaram o máximo que puderam
Diga que os ama, se preciso use palavras

Veja o estranho no caminho, doente e ferido
Não tem expressão, precisa de cuidados médicos urgentes
Diga que o ama, se preciso use palavras

Veja aquele que foi expulso por não compartilhar da mesma idéia
Veja o olhar de punição dos outros sobre ele
Diga que o ama, se preciso use palavras

Veja aquele que carrega em sí a dor da esperança em não ver do lado de fora a beleza que há do lado de dentro
Veja a dor do seu coração em seu sorriso
Diga que o ama, se preciso use palavras

Ame como Cristo amou o mundo, se preciso use palavras.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

AUSÊNCIA


Lá no fundo do oceano do coração mora um lugar que nem as águas podem atingir, nem os ventos, nem os tempos, nem o medo, nem a valentia, nem coragem, nem covardia. Lá mora um lugar inabitável por coisa alguma a não ser por mim mesmo. Lá mora uma ausência minha, mora eu mesmo. Presente na ausência que me habita. Nem um sorriso pode completar, nem abraço pode envolver, nem um beijo pode encantar... Eterna ausência, sentimento eterno, saudade da eternidade, saudades de mim.

Lá mora uma lembrança do que ainda não conheci, mora um lugar que ainda não habitei, mora uma vida que ainda não vivi... Lembrança, lugar, vida que de alguma forma já experimentei...

Ainda me lembro mas não sei do que.

Ausência de mim... Lá bem no fundo do oceano do meu coração.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

FILHOS DA RELIGIÃO


Sim... O que se tem formado na igreja evangélica, ou mesmo, nas "religiões das aparências" é isso, gente morta com a aparência de que estão vivas, "filhos da religião", da presunção de estarem por sí mesmos fazendo o caminho em reconciliação com o pai baseando-se em "performances" morais do tipo "não toco, não provo, não manuseio", coisas, que como Paulo diz, tem "aparência" de sabedoria mas é falsa humildade, possui severidade para com o corpo mas não tem poder nenhum para refrear os impulsos da carne. Leia você mesmo se não crê no que digo:

(Colossenses 2) 20 Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: 21 Não toques, não proves, não manuseies? 22 As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; 23 As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.

"Filhos da religião" são esses que dizem por sí mesmo produzirem Vida que é um prerrogativa divina e não humana, dizendo-se por sí mesmo serem da Verdade, mas a verdade é que esses adoram com os lábios, como disse Cristo, mas seus corações estão longe Dele. Esses se baseiam em "performances" como já disse, são só comportametalismo, mudam de atitudes, mudam de costumes, não fazem mais isso, não fazem mais aquilo, não tocam aquilo outro, mas seus corações estão cheio de morte. Os "filhos da religião" são filhos da repressão dos desejos e impulsos da carne, mas não são filhos da tranformação que acontece no coração. Produzem em sí mesmos o "rótulo" do ser transformado, mas estão cheios de imudícia. Esses, agradecem a Deus por não ser como os outros que são pecadores; esses querem saber porque Cristo se assenta na roda dos escarnecedores e come e bebe (bebida alcóolica) com eles; esses querem saber porque Cristo comunga com pecadores; esses se reconciliam com a arrogância e soberba humana não com Deus, pois, a recociliação com Deus se faz no caminho do coração em sã consciência de que fui por Ele reconciliado com Ele mesmo e que não tenho caminhos para construir seja como boas obras, ou boas atitudes, ou seja lá o que for; não tenho Vida pra manufaturar e dizer que Eu encontrei a vida, pois, não fui eu quem O escolhi mas Ele me escolheu; não digo Eu achei a Verdade, pois, fui por Ela achado e nisso me glorio, pois, de fato assim tenho a consciência de que "Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas". Sim, a "Salvação" do espírito que está morto em seus delitos e pecados é Dele; a "Transformação" do ser vem Dele. E tais coisas não tem nada a ver com "comportamentos", com a hipocrisia das "performances", pois, quem Nele está come, bebe e faz o que faz para glória Dele. O chão do Evangelho é muito mais profundo do que mero "superficialismo" de se dizer que foi transformado por Cristo porque não bebe, não fuma, não isso, não aquilo outro. O que nos faz diferente do mundo é o Amor, não essas coisas comportamentais. Sim. O Amor é que faz a diferença, é o que salga a terra e traz luz para o mundo, para que vejam através desse poder, que é o Amor e não o comportamentalismo, que Cristo de fato se manifestou. Esse é o Evangelho. Se for dito outra coisa que seja amaldiçoado o seu mensageiro, que seja um anjo ou apóstolo ou quem quer que seja que pregue outro "evangelho" que seja anátema. Pois o Evangelho é esse: Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, Ele está em Paz com todos.

Mas o que acontece é que esse espírito dos "filhos da religião" é forte. Como diz um amigo, "há público para essa ameaça". Eles querem porque querem dizer "Nós TEMOS o caminho, nós POSSUÍMOS a verdade, nós OBTEMOS O CAMINHO PARA A VIDA", e por aí vai. O "Nós" entre esses é o forte, é a arrogância, é a petulância e presunção da "árvore do conhecimento do bem e do mal". O que impressiona é a fraquesa e pobreza de espírito em que vivem, pois, são belos por fora, isso pra quem também tem olhos ruins para ver, pois, quem tem bom gosto nem chega a se impressionar com tal "beleza", mas, por dentro, são feios como a morte. Esses mantém o aparência, não se envolvem com os dito "impuros", isso porque não estão de acordo com o pacote comportamental que pregam e vivem, por isso são chamados "impuros"; não aceitam "estranhos" no meio deles; não se misturam; são a "elite" aristocrática da petulância; são a "classe alta" da santarrice-superficializada em contrapartida da "ralé" estigmatizada como "os impuros"; Deus não faz acepção de pessoas, os "filhos da religião" sim. Dizem "nós somos e eles não", "nós sabemos e eles não", "nós encontramos e eles não". Quem são os "Nós"? Quem são "Eles"? Sim. A diferença se mede pelo comportamento e pela performance assumida. Nada mais do que isso. Essa é a linha que faz a divisão. No entanto, continua-se a viver em inveja, contendas, facções, abusos, mentiras, jactâncias, desonestidade, arrogância, soberba, idolatria do "EU", avareza, e todo tipo de produção da "carne". Isso os "filhos da religião" não enxergam porque são coisas que não podem ser tratados com batons, nem com pós para a face do cara-de-pau, nem com roupinhas que vestem e escondem a vergonha, nem com jóias que mascaram a falta de entendimento, enfim, não enxergam porque precisam olhar para dentro para ver o "diabo" que os habita, isso os "filhos da religião" não querem ver. Querem apenas o espetáculo do circo, mas não querem se confrontarem diante do espelho e encarar a verdade perante o ser.
"Filhos da religião", deixem suas máscaras, mostrem as suas caras para que vejam quem vocês de fato são, do que são feitos. Pois o que é bom é mostrado à luz do dia, no entanto, se o que vocês fazem é mau, até dizê-lo é vergonhoso. Apareçam e mostrem seus rostos sem máscaras para serem curados de sí mesmos. Daí, Cristo dizer o que disse em Mateus 25.

O Evagelho não é isso. Não é performances, nem comportamentalismos. Não, de fato, não. O Evangelho é Espírito e Vida para o dia chamado "Hoje" enquanto se pode ter um pouco de paz e esperança no chão da existência. O Evagelho é saúde e para os ossos e vida para o coração. É O2 para os pulmões do ser. O Evagelho sim é Caminho, Verdade e Vida. É apaziguamento para o coração. É descanso e alívio de todas essas cargas de se manter a aparência para ser aceito em determinado grupo de supostos "fiéis". Sim, porque para ser Evangélico é preciso não ser "evangélico". É preciso desistir ou des-insistir de toda a arrogância de ser, de todo "orgulho espiritual". O Espírito de Cristo não é assim. Ele serve a todo o momento, tem os braços abertos para a inclusão, não diz "quem é" e "quem não é", não julga pela aparência nem se comove com tais coisas, nem comunga com tal hipocrisia. Conhecer o Amor de Cristo é a salvação de toda a existência de qualquer ser-humano, ou pelo menos dos que desejam ser humanos.

Sim. Há um ministéiro para o qual todos nós fomos chamados, a saber: A misericórdia. Arrependam e busquem saber o que é isso.

Nele, que diz: Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento. Mateus 9:13 Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. Mateus 12:7.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ALMA BURRA


Quem olha para o mundo e faz percorrer sobre ele sua alma, sabe muito bem que algo deve estar errado, ou ao menos, tem que estar errado. Conversas estranhas onde ninguém diz coisas alguma, apenas futilidades. Bricadeiras idiotas de onde se traz muita gargalhada, mas pouca, ou mesmo, nenhuma alegria. Amigos que deveriam ser chamados de qualquer outra coisa, menos "Amigo". Convites ao prazer momentâneo e inútil para lugares feito "matadores" de onde se abatade a alma. Pessoas subindo no palco ilusório do "reconhecimento" em detrimento dos outros, e isso, em todos os âmbitos da vida, seja profissional ou em seus grupinhos de amizades. Desvalorização do amor e louvor à burrice existencial que não acontece na mente mas na alma. Almas burras. Homens que trazem des-esperança à quem quer que espere umA vida no mínimo digna de ser chamada "boa". Mulheres fúteis que comungam com às idiotices dos egocêntricos e superficiais "homens". Sim. Quem olha para a humanidade, como diz Drummond, "Alguns, achando bárbaro o espetáculo,prefeririam (os delicados) morrer". Isso porque, olhar para a vida e vê-la sendo negligenciada e desprezada como vem sendo é necessário clamar a morte como libertação de tal arrogância e ignorância humana, e como disse, essa burrice não está na mente mas na alma.

Sim! O que todos esperam é que chegue um dia onde as conversas sejam saudáveis e edificantes para quem quer que seja. Que os amigos sejam Amigos mesmo. Que a vida não seja um farça nas gargalhadas amarelas dos zombadores, mas que seja vida mesmo, plena em alegria e paz.

Fernado Pessoa, já sem esperança alguma, diria:

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

Eu, no entanto, espero em Deus que tais coisas sejam verdades em mim, ainda que diante de mim esteja tal vergonha e calamidade, tal burrice de espírito. Sim, peço apenas a Ele que não ande segundo tal espírito, e que diferentemente desses que amargam a terra, e ofuscam o caminho, que eu seja sal para dar sabor à terra e luz para que vejam que o caminhar pode se tornar leve e luminoso, em alegria e Paz.

Nele.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

ESPERANDO? O QUE?


Ei! Porque esperas encontrar no horizonte o infinito universo interior?
Porque esperas achar nos olhos da pessoa amada a beleza que há dentro de ti mesmo?
Porque esperas alcançar lugares-existencialmente-geográficos onde encontrarás felicidade?
Porque buscas fora o que só poderá ser encontrado dentro?

Não. Não caminho pela vida porque encontrei nela um motivo para caminhar, mas achei em mim um novo caminho e por ele caminho por onde for sem sair do lugar. Não olho para as belas montanhas e vales, flôres e árvores, terra e mares buscando neles uma essência que me traga vida, mas sobre eles lanço a vida que há nos olhos do meu coração não esperando encontrar neles o que já não há dentro de mim. Vou sem saber para onde, porque "onde" não importa, importa apenas que eu vá, pois, não há lugar ou lugares de e onde poderei dizer "cheguei ao meu destino!", de fato não. Não há destinos, há apenas o caminho da vida e na vida, isso, porque a vida se fez eterna e "destinos" são lugares onde a vida deveria terminar. Vivo em eternidade os pequenos momentos que me são dados por Deus, momentos sem fins e sem fim, sem destinos e sem lugares fixos, apenas caminho o caminho que é a vida mesmo, e como diria Drummond, "a vida apenas, sem mistificações".

Sim. Sou humano, portanto, não sou perfeito embora busque a perfeição como alguém que conscientemente sabe que nunca se chegará à sua plenitude. Tenho, por vezes, recaídas de um humano qualquer "caído". Me pego perguntando "qual o sentido da vida?", ou, "onde tudo isso vai dar?", mesmo com a consciência de que a vida não tem outro sentido que não ela mesma, e lugares onde se chegar não existem senão o lugar do próprio coração. Penso que ninguém deveria se perguntar coisas do tipo "quando serei feliz?", porque o "quando" se refere a um "lugar" estabelecido a partir de um determinado momento ou acontecimento. Não passam de projeções impostas a sí mesmo com o intuito de se auto-enganar achando que será "feliz" a partir de algo: Uma conquista, um graduação, um bem adquirido; enfim, como tenho dito, não há razões de buscar fora o que só poderá ser encontrado do lado de dentro. Nenhuma dessas coisas tornam o ser "feliz", por isso disse que ninguém deveria se perguntar "quando serei feliz?", porque a "felicidade" está mais próxima do que se imagina: A Paz interior!

Sim. Vivo em Paz com minhas angústias e alegrias, com minhas imperfeições, com meus erros e acertos, com as estações da vida, com minhas dores e prazeres, com minhas derrotas e conquistas. Vivo feliz não pela felicidade em sí, mas por estar em Paz com todas essas coisas, pois, o que produz a "felicidade" não é a própria felicidade, mas a Paz que habita o interior, "ser feliz" é apenas uma consequência!

Todas essas buscas e aflições tem a ver com o "Amanhã", mas o único dia que há é o "Hoje", pois, o "Amanhã" nunca existiu e nunca existirá para que o "Hoje" aconteça sempre.

Nele, em quem tenho Paz independente de qualquer felicidade ou angústia.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

UMA CENA EM UM MINUTO


- Até mais! - disse eu a uma amiga me despedindo dela próximo ao ponto de ônibus.

Na verdade tinha motivos pra desejar que ela de fato se fosse. Te vi logo à frente no ponto, esperando. O que você esperava? Pensava eu. Podia ser alguém que te surpreendesse com um convite novo, ou algo que te tirasse da monotonia de sempre, ou ainda, alguma coisa que lhe enchesse os olhos e preenchesse a alma. Não sei, talvez, apenas esperava o ônibus com o intuito de ir para casa como todos os outros dias.

Desejei que minha amiga fosse embora para que pudesse aproximar-me de você. Pois ela se foi. Você continuara sozinha. A observei o tempo todo sem deixar que você o percebesse. Cada gesto, cada mudança de comportamento. Te olhava como alguém que não espera outra coisa senão um sinal, divino, mágico, um olhar, um "ajeitar" dos cabelos. Era isso o que eu esperava. Um convite seu, discreto, simples.

"Aquela cena permaneceu imóvel, imperturbável, fora do tempo. Tornou-se parte da minha alma". A cena. Na verdade, havia muito barulho. Carros, motores, motos, buzinas, conversas, rizadas... Mas em mim, havia um silêncio, causado por você. Eu não estava ali. Estava em outra dimensão, em outro lugar. Nesse lugar não havia barulhos, mas uma bela canção sendo dedilhada em cordas, violinos, Cello, Baixo, viola, suavez som de pequenos tambores... Não havia rizadas nem gargalhadas, havia apenas alegria. Tudo isso se ajustava harmoniosamente encantador, em cantos e encantos. O que não havia foi chamado à existência, sim, aquela cena provocada por você. A cena era sua, toda sua, toda você.

Um ruído se fez tentando quebrar o calor daquele momento. Já era tarde. Meu ônibus se aproximava. Mas não pude ir. Ainda esperava alguma coisa de você, em você... Sei que fiquei até vê-la partir. Misteriosa em mim, ficou você.

"O que a memória amou fica eterno".

terça-feira, 20 de novembro de 2007

SOBRE PÁSSAROS


Verdade é que não sei me dar bem com tal coisa. Na vida a gente vive ganhando e perdendo. Ganhamos amizades e perdemos amigos, ganhamos amores e perdemos a amada, nos encontramos e despedimos, chegamos e partimos, veem e vão, se vai, se vão, ganhamos e perdemos.

Nesse caminho onde viajamos nos encontramos com viajantes que chegam, trazem alegria, trazem paz, mas se vão sem dizer adeus, sem dizer nada, apenas continuam a viagem ainda longa ou, para muitos, curta. A minha dor é querer eternalizar tal momento, fazer com que seja sempre assim, sem idas, sem despedidas, sem partidas, sem perdas. As vezes me pego pensando nos que se foram, poderiam ter ficado, mas a viagem sempre continua. Impossível contê-los em algum recipiente, eternalizá-los para sempre, e para sempre fazê-los eternos ao nosso lado. De fato, impossível.

Pessoas são pássaros livres, e só são livres por poderem voar para qualquer lugar que queiram. Amores são também pássaros livres que pousam e sem se saber o porque vão embora, sem nada dizer, sem deixar pista alguma para onde foram, apenas se vão, para sempre. Nunca estamos preparados para perdas, mas ela acontecem assim mesmo, perdemos sempre.

Mas imagino se tais pássaros fossem engaiolados, enjaulados. Olhariam para suas asas e se sentiriam mutilados. Dor maior não há do que essa: Ter asas e estar dentro de uma gaiola. É a dor que se coloca bem diante dos olhos, do coração, das verdades do ser. Como viveriam tais pássaros olhando a vida lá fora sem poder voar livres para sempre? Não. Não seriam pássaros. Seriam tranformados em outra coisa. Seus rostos seriam transfigurados em angústia existencial, seus corações seriam empalhados mesmo ainda permanecendo pulsando. E tal pulsar seria o pulsar pela vida, mas não saberiam mais do que eram feitos. Não se lembrariam mais do ar batendo em suas asas em vôo livre sendo embalados pelo vento... Sentiriam angústia sem saber o porque, sentiriam saudades sem saber do que. Não se lembrariam mais que eram pássaros livres feitos para voarem.

Voem pássaros. Sua beleza está em serem livres. É melhor que se vá e vivam, do que ficar e esquecerem que suas asas são para alçarem vôos, sem fins, apenas voem em paz. Eu também irei, mas saibam, estarei melhor onde estiver se assim estiver livre para ser quem sou: Pássaro livre.

Vão e não voltem se não quiserem, sejam livres!!!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

... PAIXÃO


Sou apaixonado com música. Quem que conhece talvez pense que gosto de música, mas não é bem assim, não gosto apenas, sou mesmo é apaixonado.

O que faço pela música não o faria por qualquer outra coisa, não com a mesma disposição de coração ou com a mesma alegria e paz. Isso porque, como disse, sou apaixonado. E quem poderá dizer que a paixão não é uma loucura? Prova disso é que a paixão produz o casamento. Loucura, pura-mente em sã loucura! A paixão casa o músico com a música, o pintor com a pintura, o engenheiro com a engenharia, a princesa com o principe, o sábio com a sabedoria, enfim, a paixão faz acontecer a "contra física" absurda de duas coisas ocuparem o mesmo espaço e a louca química de tornar dois em um só, puros, à ponto de não se poder discernir onde começa um e termina o outro, puramente indistinguiveis.

Quando ouço uma música não ouço apenas uma "música". Ouço beleza num quadro harmônicamente misterioso, e me encanto com a possibilidade de tal acontecimento. Notas músicais se juntando a cantos que não se sabem de onde vem e nem para onde vai, cantos e melodias que tem a ver com a alma do cantor, tem a ver com a alma do músico que pinta numa tela invisível, sonora, não se pode tocar nem ver, é espiritualmente discernível porque assim o é, espiritual. Arte feita em ondas sonoras que conta as histórias jamais contadas, conta as dores jamais expostas, conta as alegrias jamais compartilhadas. Música é isso: encantos em contos em canto.

Mas a vida do músico se difere de toda essa beleza, ainda mais quando ele está iniciando agora uma carreira promissora. Pesos nas costas, bolsas nas mãos, todo o material que precisa pra executar bem seu instrumento. Ônibus cheios, o desconforto de se carregar tanta coisa, as distâncias percorridas para se chegar ao lugar de ensaio, o tempo gasto em estudo e em alimentação saudável para que se reponha a energia que se perde com todo esse trabalho.

A beleza da música não me livra dos estresses causados por ela mesma. Não me livra das crises de, por vezes, pensar se é isso mesmo o que quero. Não me livra dos cansaços, dos dias em que queria um pouco de quietude e não os posso tê-los. Sincera-mente, não. A música não tem esse poder. Sei apenas que quando acordo me esqueço o porque que pensei em largar ou abandonar tudo isso, acordo e não vejo razão para não viver com ela todos os dias da minha vida. No meu quarto, bem cedo, acordo ao lado do meu intrumento, uma bateria, e me encanto novamente, é como uma magia que se recria a cada dia. Paixão, pura paixão. As vezes canso e desejo dar uma volta para esfriar a cabeça, para "des-estressar um pouco" como dizem por aí, isso porque, como disse, ela me estressa, me cansa, mas a paixão é coisa louca, é sanamente louca. Quando volto, volto apaixonado, quero ela de volta, aliás, mesmo quando dou uma volta ela está sempre comigo, está sempre em meus pensamentos, em minhas conversas, em meus olhos, sempre intrínseca em minha alma. Diria, inseparável. Sei que ao lado dela estou onde quero estar, e com ela qualquer lugar é lugar qualquer que se transforma em cena de cinema.
Muitos não sabem a razão de alguns se dedicarem tanto a uma certa coisa, ou a certa pessoa!

Paixão! Seja sempre, eterna e sempre!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

PROCURA-SE UM AMIGO QUE TENHA BONS OLHOS!


Um jovem num fim de tarde conversava com um velho, muito simpático e agradável por sinal. O jovem queixava-se de seus amigos que diziam que, as vezes, ele era irônico, sarcástico, e por isso não entendiam o que ele queria dizer. Queixava-se também de sua família que o culpava até de respirar. Também queixava-se das pessoas que supostamente deveriam ser boas, mas quando provadas de fato, tinham sabores amargos.
O velho ouvindo tudo o que o jovem dizia, disse a ele:
- Meu filho! Você precisa de amigos que tenham "bons olhos".
- "Bons olhos"? - indagou o jovem.
- Sim! Amigos que tenham "bons olhos". Amigos assim nunca enxergam as suas falhas como se fossem horrendas e desprezíveis, mas a enxergam com humanidade e compreensão; Amigos assim não enxergam as suas "estações" com arrogância, mas respeita tanto o verão, quanto o outono, a primavera e o inverno da sua própria alma, e com com-paixão e se move em favor do seu próprio bem; Amigos assim não esperam que você seja mais do que você de fato é, pois, ele mesmo não quer que você seja outra pessoa que não você mesma; Amigos assim não o deixa porque você não agiu como ele queria que você agisse, mas ele primeiro age com perdão, pois, para ele não há outra forma de se ter um amigo a não ser pelo vínculo do perdão; Amigos assim nunca o deixarão solitário quando você de fato estiver sozinho, pois, não haverá presença maior do que a de um amigo assim, mesmo que ele não esteja fisicamente presente, a lembrança de alguém assim já conforta o coração e traz muita esperança; Amigos assim nunca olham suas dores como se fossem culpa sua estar passando por elas, mas o olha como quem conhece a dor e sabe que não é necessário acrescentar mais dor ainda com julgamentos e acusações; Amigos assim o amam pelo que você é e não pelo que você o possa oferecer; Amigos assim são amigos porque são amigos, e isso basta.
- Mas, senhor! Existe alguém assim? - indagou deseperançosamente o jovem.
- Você pode começar a ser um!- respondeu o velho.
E continuaram a conversar sobre muitas coisas e por muito tempo foram amigos um do outro.

MEU AMIGO, ALGUMA COISA ESTÁ MUDANDO

Alguma coisa está mudando meu amigo E não sei bem o que é Mas se lembra quando tudo apenas se repetia Então mudanças já são boas...