sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

MINHA SOLIDÃO


Me sinto só.

Me sinto três vezes só.

Me sinto só a respeito da vida, de mim mesmo e de Deus.

Me sinto só a respeito da vida... Do lado de fora há coisas indesejáveis a qualquer ser humano, o incrível é que ele insisti em comer esterco como quem come um manjar, e ainda faz uma cara boa. Será que não enchergam o que colocam para dentro de sí mesmos? Me impressiona a estupidez do homens, digo esses do sexo masculino, estupidos, idiotados, como diria Rubem Alves, a morte as vezes leva aqueles que deveriam ficar e deixa esses que não fariam falta nenhuma. Então se esses não vão o desejo de ir passa a ser todo meu. Desejo de morte. Isso porque ela me invade antes mesmo de aproximar-me da sepultura a cada vez que vejo esses seres que não me trazem esperança e muito pelo contrário me faz desejar estar em outro lugar onde não os veja nem o os enxerguem. Não só homens mas também mulheres, embora creio que há mais mulheres gente boa do que homens, mas ambos, em sua maioria, se tornaram filhos da imbecilidade, se tornaram idiotas mesmo. Transformaram a vida nessa roda gigante que não para mais. Quem poderá estancar esse mal da humanidade? Essa indiferença? Esse cegueira? Quem poderá fazer valer o amor novamente? Pois mesmo hoje a palavra "amor" soa piegas e fora de "moda". Aliás, hoje o que existe é isso: Moda. Moda pra quem tem mau gosto, muito mau gosto. Quem poderá fazer valer o autruísmo como saúde para o próximo e para a alma de quem considera o o "outro" maior do que a sí mesmo? Quem fará parar a roda do egoísmo que gira sem previsão de fim e engole tudo o que vê pela frente? Afinal o nome desta roda é "Eu" e nada mais importa à ela senão ela mesma e quem a mantém girando são os seus fiéis humanos ego-cêntricos, ego-ístas. Como diria Drummond, "Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer". Sim, desejo de morte. Não que haja desinteresse e desistência da vida, mas desejo de se libertar desse circo que criaram onde os palhaços zombam de dia e de noite. Mas como segue o poema, "Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação". Minha pergunta ainda continua latente dentro de mim. Quem parará essa coisa que criamos? Isso porque a vida é boa, porém o que fizeram dela a tornou insuportável, como cruz sobre os lombos, como peso sobre a alma, e não há quem liberte-nos disso. Sim. Em que as nossas crianças se tornarão amanhã? Seus professores estão doentes e enfermos na mente-alma-coração. Quem elas serão amanhã? Serão elas mais um desses que mantém essa roda-gigante girando? Serão elas mais um desses seres mortos que, por isso mesmo, só produzem morte a partir de sí mesmos? Que Deus haja de misericórdia para com todos nós. Que não deixe essa doença se propagar. Sim, porque do lado de fora de mim mesmo, é só isso que vejo, e é isso que desejo, morrer para encontrar a vida, pois do jeito que tá a vida se tornou in-suportável. Me sinto só à respeito da vida que há dentro de mim. Conheço muito poucos que crêem-em-carne-osso-e-obras nas coisas belas da vida. Muito poucos que olham para as árvores e enxergam nelas seres que de fato estão vivos; que olham as flôres e vêem nelas sentido para as comparar à beleza de uma mulher, e não falo de estéticas nem de coisas superficiais, falo da beleza que elas ocupam em estarem ali, belas por sí mesmas, por serem simples e delicadas dentre tantas plantas do jardim do universo; belas pela sua pequenez e singularidade. Conheço poucos que poderiam chamar um ao outro de Amigo, mas digo Amigo mesmo. Esses pouquíssimos que andam no mesmo caminho, sem o desejo de enganar, sem o desejo de ser maior, sem esses desejos interesseiros e medonhos, sem esse desejo de usurpar a vida que há no outro para satisfazerem a sí mesmos. Mas ainda conheço "um" ou "outro" que me trazem lágrimas aos olhos, lágrimas de esperança e paz. Esses tem ouvidos que houvem, olhos que enxergam, lábios que proferem vida, coração pronto para acolher e incluir em amor que é santidade. Diria que esses são seres do quais o mundo não é dígno, esses são seres do quais a morte, levianamente, leva e deixa as podridões que deveriam partir para sempre. Me sinto só nessa caminhada da vida, pois, muito poucos acordaram e milhares ainda dormem um sono eterno, jazem em pé para sempre. Me sinto só, muito só.

Me sinto só com relação a mim mesmo... Pois também, para além de qualquer verborragia tenho o desejo de falar de Deus sem que ao menos cite uma palavra referente à Ele. Se nossas pregações tem se tornado filosofia que calemos nossos lábios e vivamos isso que chamamos de "Espírito e Vida". Sincera-mente, não sairia pelos becos gritando tal mensagem e Boa Nova por pensar que a "mensagem-verbo-rragia" é muito fraca perto da companhia e do acompanhamento vivo e bem de perto, e quem o faz, faz melhor do que quem apenas fala. Dizer que Deus reconciliou consigo mesmo o mundo é muito fraco perante o viver com tal consciência e deixar as paranóias de lado. Façamos o bem um ao outro, e o outro agradecerá pelo bem realizado, e nós também exultaremos de alegria. Não tenho vontade nenhuma mais de falar sobre Deus, que Ele se revele ao mundo, apenas tenho em mim a vontade de viver normalmente sem pensar neurótica-mente Nele, paranóicamente pré-ocupado com o que será que Ele está fazendo e do que Ele está se agradando ou não. Minha própria consciência condenará meus atos se são bons ou ruins, para isso não é necessário pensar em Deus, pois, todas essas coisas já estão reveladas em nós, pelo menos é o que creio, isso porque creio que que pensar em Deus seria lembrar do Amor e não de um ser com a lista de cobranças a fazer. Como diz Rubem alves, ninguém pára pra pensar no ar que respira mas quem está se afogando só pensa no ar, assim é aquele que pensa demais em Deus, é porque está se afogando. A mesma coisa digo para quem fala demais em Deus. Eu porém, desejo viver a vida e fazer coisas boas que seja do agrado do Pai, embora nem sequer creia ser necessário dizer seu nome ou quem me enviou, apenas vivo e se puder, pela Graça e misericórdia de Deus, reflita em mim algo que demonstre Ele, mas não busco mais mostrar para o mundo inteiro que conheço Deus, pois, que isso ninguém diga a seu próximo, pois, todos o conhecerão. Como diria Gondim, "Deus nos tem como filhos e não como servos", por isso creio e repito, viverei como filho e não com o espírito de um serviçal. Portanto, me divorcio das verborragias e das prega-ações desesperadas pela afirmação demasiada a respeito de Deus, da sua bondade ou seja lá do que for, eu agora, apenas vivo em minha loucura-sã de não falar daquilo ou dAquele que não conheço mais do que ninguém. Me divorcio dessa síndrome "evangelística" de sair por aí tentando forçosamente fazer "discípulos de Cristo", não é nesse espírito que caminho. Desejo fazer apenas amigos, e encontrar neles verdadeiros companheiros de caminhada, em amor e na santidade do amor.

Me sinto só com relação a Deus... Sim, porque para mim o morrer seria lucro, pois, após a morte estaria cara-a-cara com Ele por toda a eternidade de eternidade-em-eternidade para todo o sempre. Mas ainda faço parte desse corpo repleto de morte, dessa vida em que tudo o que toque há sombras de morte, tudo o que vejo há sombras de morte, tudo o que ouço há sombras de morte. E dessa vez não falo da morte que liberta mas da morte que mata a vida, mesmo. Há morte no trabalho feito pelas próprias mãos, por mais que desejo que seja duradouro e eterno sempre haverá morte; há morte nos relacionamentos e por mais que deseje que seja sempre amor ainda háverá inveja, egoísmo, indiferença, interesses, enfim, morte. Há morte na vida que por mais que deseje que seja Vida há sempre a morte. Sim. Para mim o morrer a morte que me leva à vida, é lucro. Pois me levaria à Deus e não mais seria eu revestido desse corpo de corruptibilidade mas, da mesma forma, seria eu tragado pela Vida. Pois essa é a minha esperança, "Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso SENHOR Jesus Cristo". Me sinto só com relação a Deus, pois, ainda habito em morte e conheço ainda em parte.

Nele.

2 comentários:

edineycaminho disse...

Texto maravilhoso kra....também tenho essa solidão....e acredito assim nesse espírito que sopra como quer e onde quer,sem verbos, nomenclaturas ou o que for....tenho aprendido com vc kra....valeu por tudo....continue escrevendo,com certeza vai ajudar pessoas....

Jonatas disse...

Mano,comentar sobre esse texto depois de nossas conversas,seria trata-lo como um assunto à parte do q temos vivido.
Ficou lindo,em sua verdade.

Abraços

DRUMMOND SEM TRIUNFOS

Chega um tempo em que só se diz "meu Deus" Tempo de inabissoluta depuração Tempo em que se diz "meu amor" Pois o...