segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

DE TUDO QUE SE DEVE GUARDAR, GUARDA O TEU CORAÇÃO


Fazendo uma breve restrospectiva, não só a de um ano, o anterior, mas de toda a vida até aqui, me chama a atenção os tempos de infância. Até mesmo os desenhos da tv que assistia quando menino, os jogos de vídeo game. Parece engraçado, mas os desenhos e joguinhos prenunciavam uma vida que haveria de vir. Uma existência cheia de monstrinhos a ser enfrentados e destruídos para que o bem reinasse. Por vezes aparecia aquelas figuras que creio que todos já conhecem, a figura do diabinho de um lado e o anjinho de outro. O diabo sempre dando conselhos para o mal, e o anjo dando conselhos para o bem. O diabo sempre imediatista, incentivava o prazer do momento; o anjinho recorrendo ao pensar com cuidado no que se estava fazendo, se era mesmo uma boa opção. Tudo isso me parece um prenúncio da vida adulta, só que, ao que parece, agora, o Diabo quer transformar o ser humano nele mesmo, e o "Anjo" quer livrá-lo dessa escravidão, ou desse marionetismo nas mãos das "forças do mal".

Muito se vê por aí, pelas ruas, ou mesmo pelo cômodos da própria casa o Diabo dizer "Eu" nos lábios e nas ações de um familiar, de um conhecido qualquer. O diabinho parece sempre convencer uma pessoa de que a opção dele é sempre a melhor, a de ser "o carinha do mal", a "mocinha do mal", jamais ser os "sem graça" que fazem o bem. As histórias da infância se remontam dia após dia de amadurecimento. Sempre existe uma "turminha do mal" tentando convencer a todos de que o amor é uma mentira, que o poder é melhor, que todos são maus e por isso não vale a pena fazer o bem a ninguém. Existe sempre o lado das trevas e o lado da luz. O lado das trevas pregando o ego, o da luz pregando o amor ao próximo. E é assim que vejo após anos, as mesmas historinhas da infância, mas agora em tempo real e em pessoas reais.

E onde quero chegar com o que estou dizendo? Perdoem-me o linguajar, mas os ditos "Babacas" ou "Idiotas" são todos esses humanos que vão contra o amor e se centram em si mesmos em louvor ao Ego. Esse é o lado negro da força e que existe mesmo. E não precisa ter um olhar tão apurado assim. As invejas, as disputas, os egoísmos, as mentiras, a indiferença, o ódio, tudo isso entre pessoas bem próximas da gente. Não é necessário pensar na indiferença dos E.U.A. em relação ao Iraque, mas nessa indiferença que percorre os corredores mais próximos da gente e na gente.

E essa massa de gente ruim leva consigo muitas pessoas suscetíveis, e influenciáveis. O problema é que em alguns momentos até as boas pessoas se encontram em momentos suscetíveis e influenciáveis, e podem cair nas mandíbulas dessa gentinha. E é aí que muita gente boa faz a vontade do diabinho que fica assoprando no ouvido. Muitas vezes é o diabinho mesmo quem fala, mas na maioria das vezes é o Pedrinho, o Joãozinho, o Manésinho.

De tudo que se deve guardar, guarda o teu coração, é dele que procede as fontes de vida. Queira tudo o que é verdadeiro segundo a Verdade do Amor do Pai que Consumou todas as coisas sob o Poder da Cruz, um poder que não é como a vontade de poder humano, mas um poder que é sob o sígno da redenção, reconciliação, perdão, e um Amor que excede a todo o entendimento.

Queira tudo que é honesto. Dê aquilo que é do outro ao outro, sem reter para si mais do que aquilo que de fato lhe pertence. Diga com sinceridade e sem defesas egoístas o que se deve dizer, assuma o que é seu e não reporte isso para um outro. Seja honesto consigo mesmo, honestidade é sanidade na alma.

Queira tudo o que é justo, tudo o que vem do Pai das Luzes, do Pai de Amor. Queira o que é fruto do Espírito: Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei, pois tudo quanto houve lei, foi para estabelecer a distinção entre o que é mau e o que é bom. Mas tais coisas, os frutos do Espírito, pode ser praticado sem medida nem restrições. O Amor é que cura todas as coisas.

Queira tudo o que é puro. Tudo o que é Amor, tudo que provém do Amor. Acima de tudo, Deus escolheu habitar o ser humano, por isso ele é templo de Deus, é onde Deus está. E se Deus o quis habitar sejamos reverentes quanto a isso, quanto ao ser humano, o tratando sem negligências nem indiferenças.

Assim queira o que é amável segundo o coração do Filho que revelou o Pai em si mesmo. Queira o que é de boa fama, mesmo que bom seja aquilo que o Pai deu aos homens e por muitos fora rejeitado. Se há alguma virtude, que essa virtude seja operada pelo Amor e não somente pelo desejo de fazer boas obras, obras eternas só são feitas mediante o Amor, do contrário qualquer obra é a mesma coisa, sejam boas ao más, embora as más ainda sejam piores.

"Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus... Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem."

E que tudo seja para o louvor do Pai, que É Amor.

Com temor e tremor.

SOBRE SONHOS E HIPOCRISIA

Hipocrisia! O que significaria isso? No meu contexto, hipocrisia é pregar aquilo que não se vive. Falar mas não fazer, aconselhar mas não mover uma palha para praticar o que se aconselha. Isso seria a definição de hipocrisia, como me foi ensinado.

Nesse sentido, todos os seres humanos são hipócritas, sempre há algo em cada um de nós que não pode fazer parte do que chamamos de "mundo real", ou "realidade". Nesse sentido, todos nós estamos entregues a esse mal, a hipocrisia!

Mas me permita uma breve explicação, aliás, não é explicação, não pretendo explicar nada. Mas permita-me dizer-lhes algo.

Tenho sonhos maiores do que eu mesmo. Ah! Perto deles, sou um grãozinho de mostarda. Eles são grandes, belos, altos demais para que os possa alcançar. E eu canto e conto tais sonhos a todos que encontro pelo caminho, e falo sobre as coisas mais belas, sobre a vida que há em tais sonhos, sobre a ternura, o amor que há nesses sonhos. Os lagos infindos mesmo tendo um metro de diâmetro. Novos homens e mulheres, todos possuem asas, e voam sem sair do lugar, para lugares que nem mesmo uma fênix poderia chegar, senão apenas Deus. Aliás, Deus habita tal lugar, o lugar para onde vamos quando sonhamos, e sonhando nos encontramos com ele, chegamos ao lugar onde ele habita, e se alegra.

Esse lugar é feito de alegria, alegria eterna. É feito de uma paixão incomensurável. Cada fruto é fruto de gratidão, gratidão pela beleza da vida, de viver, de estar apaixonado por cada raio que emana do Sol da Justiça na direção de todos.

Esse lugar é feito de bondade, e o "outro" é sempre maior do que o "eu", e assim todos são reis, todos são cidadãos comuns na pátria celestial. Todos são mestres, todos são aprendizes. Todos amam, e todos são amados, e melhor é dar amor que receber amor.

Esse lugar é feito de coisas celestiais, de coisas eternamente ternas e doces. Não há ódio, não há disputa, não há humilhação, não há intriga nem fofoca, não há palavras que matam, não há a razão que humilha, não há maior e nem menor. Não há outra coisa senão o mandamento do amor. Não há mandamento, há somente o amor.

Nesse lugar não há intelectualismo, há apenas paixão.

Eu apregoo à pessoas sobre esse lugar. Conto tudo isso para os que conheço e os que venha a conhecer.

Ah! Esse lugar feito de pessoas sãs, bondosas, amáveis, que não são dominadas pelas pulsões, nem pelas emoções. Esse lugar feito de vida, e não há mais morte. Pessoas cheias de vida, e já não matam nem machucam o "outro".

Essa é minha pregação.

Permita-me continuar. Se não sou ainda esse ser que chegou ao alvo, perdoe-me, não estou sendo hipócrita! Apenas não cheguei lá, não fui transformado plenamente naquilo em que sonho ser, e sei que ainda que sonhe serei supreendido quando lá chegar, pois nem olhos viram e nem ouvidos ouviram e nem jamais penetrou em coração humano a imagem perfeita de tal ser, ou lugar.

Ah! As vezes sou tão estúpido, tão estúpido...! Tão vil, tão mesquinho e egoísta! Mas não é hipocrisia, não é hipocrisia! Não, não é!

É que ainda falta um espaço de tempo entre o temporal e a eternidade. Existe um espaço entre o espaço que existe entre o corruptível e a incorruptibilidade. Há um espaço que não posso mensurar entre o aguilhão da morte e a vitória da vida indestrutível.

Perdoem-me meus amigos! Não é hipocrisia! É que ainda não sou aquilo que O Eterno me predestinou para ser antes da fundação do mundo. Estou indo, caminhando nessa direção, como quem sonha e não pode se esquecer que ainda não se chegou lá para que a angústia e o desespero não se tornem meus companheiros de caminhada. Lembro-me do grito, da promessa, "Está Consumado", e assim vivo confiante, pela fé faço meu hoje e deixo que seja feito pela vontade Dele.

Não avistei ainda aquele lugar, nunca fui até lá (se fosse, certamente não voltaria). Não sou aquele ser belo como apregoo que serei.

E não é hipocrisia ainda não poder viver tudo isso, e ser tudo isso. É esperança, é confiança, é a loucura da pregação.

Se ainda não encarno tudo o que digo, é sinal que tenho ainda que levantar cedo e pegar a estrada em direção do sonho que ainda não se consumou plenamente.

É só isso.

SE O GRÃO DE TRIGO NÃO MORRER



Por vezes, sinto perder a vida. Mas aí me encontro numa contradição, num paradoxo, ou ainda, num auto-engano. No engano de possuí-la. Então vejo-me na verdade ancorado no nada, na ingenuidade de tê-la em minhas mãos. É aí que me pego tomado por um sentimento falso, que não deveria existir, um sentimento auto-criado. O fato é que não a tenho (a vida), sendo assim não a perco.

Reflito sobre tal sentimento. Não há razão nele, não há paixão nele. Há apenas uma ingênua sensação. Como um menino que se sente o centro do universo, e sente seu universo como o centro de todos os outros.

Como o grão de trigo me desfaço, não sem dores. E o que perdera de fato? Perdera a prepotencia, a auto-suficiência, o egocentrismo. Perdera o que me fazia estar firme de mim mesmo. Abrira as portas para os raios do Sol da Justiça, para a Vida que há Nele, e só Nele.

Ai de mim se não morrer! Seria como um grão de trigo, solitário e egoísta. Perdido no meio da terra, sem raízes, nem ramos, nem folhagens, nem frutos. Não teria nada para me alegrar com o outros, não teria nada para compartilhar com alguém. Não teria vida em mim, e não poderia dar vida a nada nem ninguém.

Mas como disse, não se chega aí sem dor. Não é sem dor que se percebe que houve medo por um bom tempo de perder aquilo que não tinha. É como se me fosse dado um dever de defender um terreno, e nesse terreno o tesouro mais precioso de todos. E então, vindo os ladrões, me assaltam, e cavam, e procuram, e não há tesouro e não há nada além de um vigia e seu terreno vazio. Alarme falso.

Deixado desarmado e jogado ao chão, tento me recompor. Mas onde está o meu tesouro? Há apenas um silêncio ensurdecedor do lado de dentro. E tempo, e vazio, e mais tempos e mais vazios.

Leva um tempo para dizer, parafraseando o salmista, "o meu tesouro vem do Senhor que fez os céus e a terra". Leva uma era interior para dizer "Hosana". Muito se quer gritar "eu consigo", "eu posso", "eu". Mas vindo os ladrões tragos pelo sopro que é a vida, pelo tempo, pelo espaço, vindo o silêncio como resposta do coração diante a indagação feita, vindo o absurdo da debilidade do existir... Vem então esse "Hosana" como um canto em meio a dor. Esse canto que nasce como temor e tremor pela pequenez e efemeridade da vida. Então abri-se as portas para o Eterno. Hosana! Hosana! Hosana! Um ruidoso e inexprimível "Hosana".

Não possuo a vida. Não a encontrei de modo que a saiba explicar, ou mesmo de forma que a posso ensinar ou mesmo recomendar. Mas sinto uma estranheza enorme de que estou sendo encontrado por ela e levado por ela como árvore plantada junto a ribeiros. E me esforço para não ser distraído por outra coisa que não seja ela. E também não é sem dor tal esforço. Por vezes é necessário arar esse chão sozinho. Semeando com lágrimas, colhendo os feixes como os pés descalços e feridos.

Não sei o que é a vida. É ela que sabe quem eu sou. E mesmo assim Ela me chama o tempo todo a acentar-me à mesa, comer, beber de graça. Ah! Mas não é sem dor que vou dando os meus "Hosanas". Não é sem esforço que vou indo em direção dela à medida que ela me chama e se mostra como vida.

Não penso para mim que a vida seja algo fácil de se encontrar. Depois de tanto tempo concluo que ainda não a achei. Achei pelo menos o caminho contra ela, o caminho de pensar obtê-la.

Assim me desfaço de toda aquelas crendices que me foram dadas e que ingenuamente me atirei de cabeça. Acreditei como a criança acredita em cada fantasia.

Agora Ela me chama a ter um encontro com ela. Só tenho meus pés descalços e as mãos um tanto calejadas, um coração contrito e quebrantado, e também algumas lágrimas que sei que irei ainda derramar.

"Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto".

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A GRAÇA ENTENDÍVEL

misericordia

É quase piegas, a essa altura do campeonato, dizer “A Graça excede o entendimento”. Tão piegas que provoca vergonha alheia por alguém que, nos primeiros sinais de compreensão do Evangelho da Graça, diz isso no meio de muitos que já ouviram tal mensagem há tempos e tempos.

E isso é fato, a Graça excede a todo entendimento. Contudo, há uma Graça entendível. Foi por causa dessa Graça que Cristo foi tão odiado por uns, e tão amado por outros.

Sempre achei que o lugar de justos era no céu. Quantas vezes eu derramei meu próprio sangue para ocupar um lugar desses, ao lado de Deus! Na morada do Criador no Universo! E sua Lei? Quantas vezes me senti alguém diante de Deus por meio dela! Quantas vezes me senti ninguém perante Deus por causa dela!

O meu demônio tem nome: Religiosidade. É assim que o chamo, e o reconheço. E é quase impossível enxergar ele sem que me veja, e é quase impossível enxergar a mim sem vê-lo.

O Cristianismo foi meu berço. Nasci na maldição da apostasia antes mesmo de ter consciência própria. Aprendi a ser “justo”, “santo”, “irrepreensível”, e ao contrário de Paulo não considerei tais coisas como restos fecais. Dava valor a tudo isso com muito, mas muito orgulho. Meu ego se inchava.

Mas Cristo não criou o Cristianismo, e nem neste esteve por um segundo sequer.

É como se eu estivesse vivendo na época Dele, há mais de 2000 anos.

Vejo Ele vindo chamando Mateus, um cobrador de impostos, um extorquista dos pobres e daqueles que não sabiam diferenciar a mão direita da esquerda. Ele chama Judas, um servo de Mamom, qualquer moeda valia, para ele, mais do que um ser humano. A Zaqueu ele chama para estar com ele em sua casa, um homem rico, ficou rico nas custas dos outros, no exercício da extorsão, da desonestidade, a vileza, a falta de amor, aproveitando-se sempre da ignorância do povo.

Jesus chamou a escória da humanidade. E não vindo aqueles que deveriam vir - “os servos de Deus” - então Ele chama os mancos, os aleijados, leprosos... Não é bonita a cena do banquete. Qualquer um que chegasse a uma festa dessa ou pensaria que era uma entidade filantrópica, ou no mínimo um manicômio.

Pense comigo! Aleijados assentados ao chão, mendigos comendo à mesa, prostitutas bebendo e dançando e se alegrando, policiais corruptos, cobradores de impostos... Todos juntos, alegres, festejando. Seja sincero, meu caro. Isso parece uma pocilga, um curral de porcos.

Era assim que também os religiosos da época - fariseus, escribas e o povo que os acompanhavam - viram a coisa toda.

E quanto a eles, religiosos, corretos, obedecedores da lei (porque também havia gente séria no meio deles, como Paulo por exemplo), tidos como justos, santos, exemplares, o povo de Deus, o remanescente divino, a todos eles Cristo disse que haveria menos rigor, no dia do juízo, para Sodoma e Gomorra do que para eles; menos rigor para Nínive do que para eles. Quem não ouviu Jesus dizer “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós”…“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”?

Essa Graça é entendível. Pelo menos muita gente entendeu e deu um jeito de matar Jesus.

Quem não entende que Cristo preferiu estar na “pocilga” diante dessa nuvem de testemunhas? Os justos? Ah! Esses ficarão de fora. Como aquela passagem do “reino tomado à força”, que, provavelmente, segundo Joachim Jeremias, alude à cena em que os religiosos cultuavam à Deus, porém, os rejeitados por eles faziam força para entrar e estar no meio deles, mas eram barrados. E Jesus diz então que aqueles, que faziam violência para entrar naquela reunião onde supostamente cultuavam a Deus entravam, entravam no reino, mas os religiosos zelosos ficavam de fora. “Eles – a escória – entra no reino, mas vocês ficam de fora”. “Senhor! Nós expulsamos demônios em teu nome!” – e ficarão de fora. “Não vim chamar a justos, mas pecadores”.

Numa hora dessas , penso em Nietzsche que afirmou tão categoricamente que Paulo, “com aquela insolência rabínica”, fala contra “a sabedoria deste mundo” quando diz que “a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte que a força do homem... Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes... Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se vanglorie diante dele”. Nietzsche pensou que Paulo falou isso contra o sistema filosófico, filológico, contra o “pensar”, contra o “super-homem”.

Nietzsche, meu caro! Era melhor você ter dado um tiro no pé do que projetar a sua insolência sobre Paulo!

Creio eu, se não tiver sendo também insolente, que Paulo viu Cristo, reconheceu-O, chamou de esterco tudo aquilo que era ele (Paulo) mesmo, e prosseguiu em direção Dele (Jesus). Ele viu que Cristo inverteu tudo, viu a vergonha que Ele causou aos santos, a humilhação que Ele causou aos que pensavam ser alguma coisa.

“Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são para que ninguém se vanglorie diante dele”.

Peço a Deus que tenha misericórdia de mim! Sou o mais desgraçado dos desgraçados! Como disse, nasci na apostasia antes mesmo de ter consciência própria, e agora esse demônio me rodeia sempre.

Eu fico por aqui, diante desse mistério.

“Eu lhes digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus. Mas os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes".

Com temor, e tremor.

sábado, 28 de agosto de 2010

DORES DO CORAÇÃO DE UMA MULHER


Vasto mundo de mistérios, segredos e magias
Mas tudo bem, nada disso, como dizem, “é à minha cara”
Na vastidão de mundos e dimensões, de paisagens...
Solidão. Hoje, preferi ficar em casa.

Achaste que andei por corpos de divagações
Por terras e mares desconhecidos
Quando na verdade, só, peguei meus livros
Estive em casa a compor canções

Pensaste que provei de outros gostos e cheiros
De outros sabores e amores
Mas hoje, peguei meus velhos hinos, cantei esperanças utópicas
Estive em casa relembrando algumas dores

E até acreditaste
Que fui para, talvez, não mais voltar
Tinha ido à cozinha, tomar um copo d’água
Estive em casa na vontade de chorar

Então, soluçaste pensando e chorando
A traição, o fim de nossos anos, e de tudo quanto aconteceu
Estive aqui, ali, acolá, sem rumo na vida a tomar
Estive em casa pelos cômodos, sozinho, a falar

Então, me ligaste desejando não me encontrar
Para teres certeza de que uma “outra” estava comigo em uma mesma cama
E quando ligaste, logo atendi, era a voz de quem queria ouvir
Estive em casa esperando ouvir a voz da mulher que me ama

terça-feira, 9 de março de 2010

SAUDADES




Depois de achar que não sentiria saudades de coisa alguma...

...Sinto saudades dos meus velhos amigos, das boas e antigas conversas. Da alma gritando, pedindo ajuda, oferecendo abrigo, cantando e contando a dor.

Sinto saudades daqueles tempos em que as conversas eram cheias de uma sinceridade perturbada pela existência e suas ditas "realidades"; na maioria das vezes surgiam deduções confusas e terminavam em razões inconclusas, mas eram cheias de vida. Era o fim da solidão, o compartilhar dela mesma.

Sinto saudades da proximidade que edificava, e edificava mesmo, construindo, tijolo a tijolo, um edifício forte, forjado na fraqueza, no confessar dos pecados um ao outro, o fim da solidão, de fato.

Sinto saudades daquelas frases em que se dizia "Não esperava isso, deu errado!", ou então, "Penso em começar de novo!".

Como eram edificantes todas essas conversas.

Hoje, se diz muita coisa e não há conversa alguma. Disputas e mais disputas sem ninguém ter declarado guerra a ninguém, assim, sutil e diabólica.

Hoje, o que é mau tem corrompido os dias da vida. Se por um lado a religião matava, agora as más conversações e companhias tem feito tal papel, matando, da mesma forma, a vida.

Hoje, os que se achavam cheios de si não sabem mais quem são, ou, se são. E parecem não fazer nem idéia de tal coisa.

Hoje, a dissolução da alma tem sido a coisa mais comum, e o comum é dissolvê-la.

Hoje, não há mais amigos, há interessados nos assuntos, lugares, festinhas, teorias novas... Um agrupamento do vazio espiritual.

Sinto saudades dos tempos antigos...

Sinto saudades disso tudo... E penso que já são coisas demais para se sentir saudades.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

FOI ASSIM... UM SONHO...



Foi mais ou menos assim... Um sonho...

Estava assentado ao chão e enconstado na parede da cozinha. Era uma casa de pertences caros e magníficos. Eu, ao chão, esperava algo, cansado, ocioso como se sentisse o grito do silêncio e o peso da brisa. Olhei ao lado e alguém vinha chegando do corredor. Era um rapaz de boa aparência, bem vestido, camisa clara de gola social, calças jeans de tecido visivelmente caro. Ele chegava como quem vai à cozinha tomar um copo de leite. Olhou para mim que estava ali sentado, tirou um arma, bela por sinal, preta, apontou em minha direção e disparou um tiro. Até então eu o via calmamente como quem sente que algo iria acontecer, e talvez acontecer nada já seria algo. Vi ele vagarosamente tirar a arma da cintura, apontar para mim... Não me movi, fiquei e esperei o ensejo daquela cena.

Estava eu lá assentando ao chão, recostado na parede, com um tiro na cabeça. Ainda ouviu a vida, os sons, via os movimentos. O tal rapaz tirou da arma o pente de balas e lançou aquela sobre minhas pernas. Se morto ou não, peguei a arma e apontei para ele, tentei acertá-lo sem ao menos saber o porque, talvez fosse para revidar apenas. A arma só estalou o gatilho mas estava sem munição. O rapaz que abrira a geladeira para tomar um copo de leite, olhou para mim como quem diz "se estivesse armada você me mataria!". Então tirou uma outra arma da cintura e atirou novamente, um tiro certeiro, na cabeça novamente.

Eu ainda ouvia os sons e o silêncio, sentia a brisa... Até que senti o lado esquerdo de minha face descolar do lado esquerdo e escorregar como que a metade de uma coisa qualquer arredondada, talvez como aqueles bombons que se parte e logo se derrama o seu recheio. Ao acontecer isso meu espírito saiu do corpo e se sentiu leve, solto, não mais preso pelas delimitações da existência terrena, como necessidades alimentares e outras mais básicas ainda; não era necessário nem mesmo o oxigênio. Aquele espírito simplesmente existia e não necessitava de nada para mantê-lo vivo. De súbito comecei a subir como quem ascende aos céus, porém, antes que isso acontecesse, fui desvanecendo junto ao ar, até sumir.

Do outro lado da existência estava aquele rapaz que havia dado o tiro. Tomando o seu cotidiano copo de leite. Aquele rapaz também era eu. Fui eu quem deu o tiro.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

ESCOLHAS...



Já não és mais como antes
Agora já sabes a escolha que deves fazer
Só não entendes como o mundo pôde se tornar tão vil

Sabes que terás que escolher
Só não acreditas que as coisas chegaram a esse ponto

Como coisas tão pequenas fazem tanta diferença!
Como podem se tornar o céu, ou num inferno!
Como o vício das gargalhadas pode ser tão sem alegria!
Como uma amizade pode se tornar num jogo!

É preciso dizer "adeus" antes que se perca totalmente
Veja só, não querem ir para onde vais
Correrás por eles em vão

Agora estas sozinho com sua decisão
Agora está você e...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

TE ESPERO, VEM!



Vem! Que eu já estou bem perto!
Não há nada estranho entre nós, está tudo certo
Vem, que estou a te esperar
Naquele mesmo lugar onde te encontrei

Vem, mas não brigue por nada
Nem por coisas sérias nem coisas quaisquer
Vem, pois, coisas são apenas coisas
E não vale a pena brigar por elas

Vem, que meus braços te quer bem aqui
Vem, que com você é para onde quero ir
Esqueça as bagagens, todas a peças de roupa
A gente se vira por aí, vem, mas vem inteira

Estou aqui naquela mesma estação onde te vi pela primeira vez
Vem, que eu te espero, com coração sincero, te espero
Por favor, vem! Está frio aqui
Preciso de você

Vem, que o cinza está ficando cada vez mais forte
Vem, que o inverno fica cada vez mais intenso
Vem, pois, os trilhos não trazem nada há muito tempo
Vem, pois, eu te chamo, vem!

Vem, que tenho pressa em viver
Não como se diz viver por aí
Vem, que quero fazer esse caminho com você
À margem de tudo quanto já vimos

Vem, que o Sol está forte lá fora
E só posso chegar até lá por você
Vem, que a escuridão mora dentro
De quem só contempla o amanhecer

Vem, pois, parece não haver viagens à outro lugar
Vem, apenas, vem! Sem motivo algum
Sem razão alguma
Vem, eu te chamo, vem!
Por favor, eu te peço: Vem!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O PRAZER DAS PEQUENAS COISAS



São pequenas coisas negativas que nos atingem, que nos destroem; é que não entendemos que são de pequenas coisas que é feita a vida. Foi por buscar coisas grandes demais, buscar coisas elevadas demais que descobri que as coisas grandes, seja lá o que isso signifique para cada um individualmente, não passam de meras distrações, as coisas mais belas estão nas pequenas coisas, e é nelas que a vida se sustenta, quem não enxergar isso viverá numa eterna procura ao "sentido da vida". Estou certo de que o prazer está nas coisas pequenas, ou, nas pequenas coisas.

Assim quando alguém que não tem tal entendimento, quando atingido por algo pequeno e negativo que causa estragos desproporcionais, tal alguém fica como quem não compreende, não entende, não aceita. Coisa grandes negativas quando nos atingem nos provocam lágrimas superficiais; quando o prazer das pequenas coisas nos são tirado, há lágrimas de morte, afinal, foi nos tirado o prazer da vida, é lógico como numa equação o desejo de se ausentar da vida, dar cabo dela. Foi-se o prazer de ver aquela carinha, aquele sorriso, aqueles olhinhos, aquele jeitinho... Se foi-se tal prazer, pra onde iremos senão para o abismo da angúsita e da dor?

Mas sei também que como é trágico um tisuname causado por uma pequena coisa, é grandioso o recomeçar.

A vida tem esse mistério, e talvez uma das coisas mais belas deixadas por ela é o "recomeçar". Uma nova chance, chance à vida novamente.

E para quem entende que as coisas belas são pequenas, não fica difícil recomeçar, e o caminho não fica tão escuro assim.

Deixemos de lado a magia investida nas grandes coisas, busquemos aquilo que é essencial ao coração. Busquemos o prazer das pequenas coisas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009



Por vezes eu quase chego a acreditar
Que todos são felizes
Olha só a imagem do casal 20
Ouça só a mensagem aos ouvintes

Por vezes eu quase chego a duvidar
Que sou feliz
Olhe só meu dia se definhar
Olhe só aquele dia não chegar

Por vezes eu quase chego a acreditar
Que a gente deve ser assim
Veja só o sorriso de propaganda
Veja o corpinho que sempre engana

Por vezes eu quase chego a acreditar
Mas infelizmente não dá
Olhe só por detrás das janelas
Aquelas lágrimas que verdades revelam

Por vezes eu quase chego a me enganar
Mas infelizmente, mesmo, não dá
Olha lá a infelicidade deitada ao lado
Olha lá a solidão de quem dorme acordado

Por vezes eu quase chego a acreditar
É isso que dá
Teatro nas ruas da cidade
Pra que tanta falsidade?

Mas não é de impressionar?
Quanta arte, quanta beleza...!
Quase chego a acreditar...
Mas me perdoem, não dá!

MEU AMIGO, ALGUMA COISA ESTÁ MUDANDO

Alguma coisa está mudando meu amigo E não sei bem o que é Mas se lembra quando tudo apenas se repetia Então mudanças já são boas...