segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

SOBRE SONHOS E HIPOCRISIA

Hipocrisia! O que significaria isso? No meu contexto, hipocrisia é pregar aquilo que não se vive. Falar mas não fazer, aconselhar mas não mover uma palha para praticar o que se aconselha. Isso seria a definição de hipocrisia, como me foi ensinado.

Nesse sentido, todos os seres humanos são hipócritas, sempre há algo em cada um de nós que não pode fazer parte do que chamamos de "mundo real", ou "realidade". Nesse sentido, todos nós estamos entregues a esse mal, a hipocrisia!

Mas me permita uma breve explicação, aliás, não é explicação, não pretendo explicar nada. Mas permita-me dizer-lhes algo.

Tenho sonhos maiores do que eu mesmo. Ah! Perto deles, sou um grãozinho de mostarda. Eles são grandes, belos, altos demais para que os possa alcançar. E eu canto e conto tais sonhos a todos que encontro pelo caminho, e falo sobre as coisas mais belas, sobre a vida que há em tais sonhos, sobre a ternura, o amor que há nesses sonhos. Os lagos infindos mesmo tendo um metro de diâmetro. Novos homens e mulheres, todos possuem asas, e voam sem sair do lugar, para lugares que nem mesmo uma fênix poderia chegar, senão apenas Deus. Aliás, Deus habita tal lugar, o lugar para onde vamos quando sonhamos, e sonhando nos encontramos com ele, chegamos ao lugar onde ele habita, e se alegra.

Esse lugar é feito de alegria, alegria eterna. É feito de uma paixão incomensurável. Cada fruto é fruto de gratidão, gratidão pela beleza da vida, de viver, de estar apaixonado por cada raio que emana do Sol da Justiça na direção de todos.

Esse lugar é feito de bondade, e o "outro" é sempre maior do que o "eu", e assim todos são reis, todos são cidadãos comuns na pátria celestial. Todos são mestres, todos são aprendizes. Todos amam, e todos são amados, e melhor é dar amor que receber amor.

Esse lugar é feito de coisas celestiais, de coisas eternamente ternas e doces. Não há ódio, não há disputa, não há humilhação, não há intriga nem fofoca, não há palavras que matam, não há a razão que humilha, não há maior e nem menor. Não há outra coisa senão o mandamento do amor. Não há mandamento, há somente o amor.

Nesse lugar não há intelectualismo, há apenas paixão.

Eu apregoo à pessoas sobre esse lugar. Conto tudo isso para os que conheço e os que venha a conhecer.

Ah! Esse lugar feito de pessoas sãs, bondosas, amáveis, que não são dominadas pelas pulsões, nem pelas emoções. Esse lugar feito de vida, e não há mais morte. Pessoas cheias de vida, e já não matam nem machucam o "outro".

Essa é minha pregação.

Permita-me continuar. Se não sou ainda esse ser que chegou ao alvo, perdoe-me, não estou sendo hipócrita! Apenas não cheguei lá, não fui transformado plenamente naquilo em que sonho ser, e sei que ainda que sonhe serei supreendido quando lá chegar, pois nem olhos viram e nem ouvidos ouviram e nem jamais penetrou em coração humano a imagem perfeita de tal ser, ou lugar.

Ah! As vezes sou tão estúpido, tão estúpido...! Tão vil, tão mesquinho e egoísta! Mas não é hipocrisia, não é hipocrisia! Não, não é!

É que ainda falta um espaço de tempo entre o temporal e a eternidade. Existe um espaço entre o espaço que existe entre o corruptível e a incorruptibilidade. Há um espaço que não posso mensurar entre o aguilhão da morte e a vitória da vida indestrutível.

Perdoem-me meus amigos! Não é hipocrisia! É que ainda não sou aquilo que O Eterno me predestinou para ser antes da fundação do mundo. Estou indo, caminhando nessa direção, como quem sonha e não pode se esquecer que ainda não se chegou lá para que a angústia e o desespero não se tornem meus companheiros de caminhada. Lembro-me do grito, da promessa, "Está Consumado", e assim vivo confiante, pela fé faço meu hoje e deixo que seja feito pela vontade Dele.

Não avistei ainda aquele lugar, nunca fui até lá (se fosse, certamente não voltaria). Não sou aquele ser belo como apregoo que serei.

E não é hipocrisia ainda não poder viver tudo isso, e ser tudo isso. É esperança, é confiança, é a loucura da pregação.

Se ainda não encarno tudo o que digo, é sinal que tenho ainda que levantar cedo e pegar a estrada em direção do sonho que ainda não se consumou plenamente.

É só isso.

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