quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

FOI ASSIM... UM SONHO...



Foi mais ou menos assim... Um sonho...

Estava assentado ao chão e enconstado na parede da cozinha. Era uma casa de pertences caros e magníficos. Eu, ao chão, esperava algo, cansado, ocioso como se sentisse o grito do silêncio e o peso da brisa. Olhei ao lado e alguém vinha chegando do corredor. Era um rapaz de boa aparência, bem vestido, camisa clara de gola social, calças jeans de tecido visivelmente caro. Ele chegava como quem vai à cozinha tomar um copo de leite. Olhou para mim que estava ali sentado, tirou um arma, bela por sinal, preta, apontou em minha direção e disparou um tiro. Até então eu o via calmamente como quem sente que algo iria acontecer, e talvez acontecer nada já seria algo. Vi ele vagarosamente tirar a arma da cintura, apontar para mim... Não me movi, fiquei e esperei o ensejo daquela cena.

Estava eu lá assentando ao chão, recostado na parede, com um tiro na cabeça. Ainda ouviu a vida, os sons, via os movimentos. O tal rapaz tirou da arma o pente de balas e lançou aquela sobre minhas pernas. Se morto ou não, peguei a arma e apontei para ele, tentei acertá-lo sem ao menos saber o porque, talvez fosse para revidar apenas. A arma só estalou o gatilho mas estava sem munição. O rapaz que abrira a geladeira para tomar um copo de leite, olhou para mim como quem diz "se estivesse armada você me mataria!". Então tirou uma outra arma da cintura e atirou novamente, um tiro certeiro, na cabeça novamente.

Eu ainda ouvia os sons e o silêncio, sentia a brisa... Até que senti o lado esquerdo de minha face descolar do lado esquerdo e escorregar como que a metade de uma coisa qualquer arredondada, talvez como aqueles bombons que se parte e logo se derrama o seu recheio. Ao acontecer isso meu espírito saiu do corpo e se sentiu leve, solto, não mais preso pelas delimitações da existência terrena, como necessidades alimentares e outras mais básicas ainda; não era necessário nem mesmo o oxigênio. Aquele espírito simplesmente existia e não necessitava de nada para mantê-lo vivo. De súbito comecei a subir como quem ascende aos céus, porém, antes que isso acontecesse, fui desvanecendo junto ao ar, até sumir.

Do outro lado da existência estava aquele rapaz que havia dado o tiro. Tomando o seu cotidiano copo de leite. Aquele rapaz também era eu. Fui eu quem deu o tiro.

Nenhum comentário:

DRUMMOND SEM TRIUNFOS

Chega um tempo em que só se diz "meu Deus" Tempo de inabissoluta depuração Tempo em que se diz "meu amor" Pois o...