segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ENTREMENTES EXISTÊNCIA– (PARTE 1)

Não sei, acho que os ventos passaram, eu não vi
Uma sensação de um lugar sem lugar
Um chão rodeado de infinitos vazios
Angústia
Preso ao tempo que não se conta
Já nem sei minha idade
Não sei se os anos dos calendários fazem jus
Aos tempos de intensidades que vivi
Quantos anos dura um período de angústia?
Quantas décadas são sentidas num espaço de tempo sem respostas?
O relógio ficou caduco, seus ponteiros estão mortos
E por ironia ainda matam
Está tudo tão perto…!
Mas também os nossos sistemas de medidas não sabem medir existências
Não sabem mensurar nem a distância nem o tempo
entre um olhar cabisbaixo e um sorriso cheio de lágrimas
Mas não sei, os ventos passaram, eu não senti
Atônito fico como quem teve a casa saqueada pela madrugada
Como um ladrão na noite, esse tempo, esses ventos, esses tempos
Há uma saudade em mim que não é romântica
É dor, é carência, é tristeza
E nisso tudo um sorriso como que uma pausa
Entre a fé e o desespero
Amor! Meu amor! Para onde os ventos te levaram?
Eu sei! Não levaram a lugar nenhum
O seu endereço continua sendo o mesmo
É aquele velho problema das distâncias não mensuráveis
Te sinto tão longe! Para onde os ventos te levaram?
Meu amor! Para onde os ventos me levaram?
Será você? Será eu? Quem foi arrastado por esses tempos afinal?
Fomos nós?
E agora?
A sua mão é uma miragem, e eu vou de mãos dadas
Mas esses ventos… Ah! Esses ventos me fazem lembrar
que só existe a minha mão à procura de outra
Talvez tenha que obscurecer os olhos para não encarar o meu estar só
Para não ver que entre meus dedos estão esses ventos, esses tempos
Solidão
Silêncio

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