segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ENTREMENTES EXISTÊNCIA – (parte 5)

Morte
O que é a morte?
Não a minha morte, mas a do que mais amo
Deve ser isso
Morrer é o revés do parto
é arrumar o quarto para o filho que já morreu
Entendimento
O qual não tenho
Entendo, mas nada justifico
Pensam que por causa de um trauma
Podem dizer “Fiz mas não fui eu”
Quanta bobagem, o ato foi seu
O trauma foi só o álibi
O álibi da loucura que torna a alma escura
Sombria em si só, pelo fato de estar só
Trauma, me dê uma gota de desculpa
Para que eu vomite minha sujeira
Para que eu beba meu próprio vômito
E atônito fique como que embriagado
Pelo cheiro estomacal desse ácido
O cheiro de tudo aquilo que ingeri
Que esteja perto de minhas narinas
Que sugue, que cheire, que eu sinta o gosto
Desse desgosto na língua, que lamba
O pus dessa íngua, que rasteje eu nessa lama
E não me rasparei com um caco
Farei como o animal que lambe suas próprias feridas
Não tenho nojo de mim
Apenas bebo o vinho desse pútrido fato
Desse verme alojado em minha pele
Não quero remédio, quero arranca-ló com as unhas
E rir-me dele, as risadas mais bizarras
Rir-me com toda força da minha alma
Na intensidade que ele me fez rastejar no pó
Rir-me-ei dele
A Queda é profunda, mas quem medirá a Salvação?
Se caio é Deus quem me põe de pé
Eu sei que meu redentor vive
E que por fim me levantará
E me porá sobre a força minguante dos meu próprios ossos
Ainda que cambaleante ficarei de pé
Ainda que com as vistas turvas
Dirá “anda”… E andarei, sem forças
Mas repleto de alegria por ter visto um dia
A mão do Senhor

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