segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ENTREMENTES EXISTÊNCIA – (parte 3)

Dor
Um crepúsculo silencioso e não mais que suaves assobios de pássaros, e não muitos
Poucos, três ou quatro e uma brisa
Um silêncio perturbador e ao mesmo tempo aconchegante
Mais aconchegante do que perturbador
Um sinal porém não uma direção
Um ir sem saber para onde, sabe-se apenas para onde não ir
Uma carência, um frio
Um beijo
Um  carinho estranho, um bom aroma é essencial
Cheiros
Desejos
Um morango, uma hortelã, um amadeirado, um silvestre
Um forte, outro intenso, outro ainda fraco, ou suave
Uma sugestão, não mais do que aquilo que eu mesmo deseje
Não mais do que aquilo que desperte em mim uma ligeira imaginação
Imaginação que fora dos ponteiros parece eterna, uma eternidade dentro da outra
Pele
Essa coisa que me identifica diante dos olhos
E que desejo e que me desejam
Pernas, lábios e sinuosas curvas, curvas expostas e outras escondidas
Sugerem, incitam, completam ou completaria
Esse vazio, essa angústia
Seria perfeito, a satisfação do desejo
Mas é curto, passageiro
Gozo
Não mais que um segundo de eternidade dentro de eternidades de eternidades
Então
Pernas comuns, lábios comuns, curvas sinuosas mas comuns, curvas expostas e outras que não quero ver mais
Uma falha
Um novo desejo, desejo de outras pernas, outros lábios, outras curvas
Outras que me estejam escondidas, ainda não descobertas
E não vou mentir para você
Não são curvas nem lábios
É o desejo
Mas o que o move?
O que move esse desejo?
É desejo por que?
A dor, a angústia, o desespero…?
Não me importa o que é o desejo, apenas o que o move
A dor é ferida; a angústia, caminho até a vida
O desespero, falta de saída

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