quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A VELHA INSEGURANÇA DA SEGURANÇA, E VICE-VERSA


Meu ser constantemente busca estar seguro, pés firmes ao chão, mente equilibrada, nada de euforia nem choros atoa, nada de extremos, esse é meu lugar seguro. Mas segurança é o lugar da insegurança, o lugar de onde não se sai para abraçar o desconhecido. Tenho a impressão de que meus traumas me fazem querer generalizar todas as coisas como se a vida tivesse uma regra cabal, é assim e pronto. O querer estar seguro me diz para não ir muito longe, pode ser perigoso; me diz para procurar entender antes de provar, é mais seguro assim; me leva a pensar sobre a vida pra depois viver, isso seria mais seguro, sim, se a vida fosse um conceito, se o amor tivesse uma definição, e se Deus pudesse ser mapeado. Assim tudo seria seguro, e no mínimo patético.

Patético me torno toda vez que busco os lugares onde não ofereça risco algum na vida. Nada de caminhos que não seja esse que acho que sei que é o verdadeiro, nada de uma vida fora dos padrões dos quais estou acostumado, nada de renovação da mente, e melhor ainda é manter a fé intacta, cosmovisão intacta, nada de coisas novas, é o lugar onde mora a segurança da insegurança.

E é nesse lugar onde caminho num lote de uma casa pensando ser a floresta Amazônica; onde penso estar certo sendo que nunca saí de fato para conhecer o mundo; onde penso ter uma excelente vida sendo que nunca saí para além dos muros que institucionaram minha "vidinha" que adquiriu uma forma ou fôrma, nunca experimentei, de fato, vida. É nesse lugar onde penso saber de um amontoado de coisas quando na verdade não conheço nada.

Li num livro do Rubem Alves que a palavra saber no latim tem o mesmo significado de sabor. E ele nos convida à reflexão de que saber é sabor, e sabor é saber, o que passar disso é mera especulação distante da verdade. Viver é experimentar seus sabores, conhecer a vida é provar de suas delícias (abro um parêntese para excluir todas as interpretaçoes de cunho moral). Quando então se falar do sabor de algo, a propriedade com a qual se fala demonstrará o conhecimento, pois se terá provado o sabor.

Na vida não há segurança alguma, não mesmo!

A familia que hoje é rica, pode empobrecer abruptamente amanhã; o marido que hoje não bebe, pode se tornar um alcóolatra amanhã; a esposa que hoje é fiel, pode abandonar amanhã; a saúde que hoje é implacável como a força de um leão, pode se tornar frágil como a força de um poodle amanhã; a vida que hoje prossegui livre de sombras, pode ter seu fim amanhã. Enfim, não há nada que nos possa dar segurança de coisa alguma.

De fato, não há recompensa para o homem que vive debaixo do Sol senão o beber, comer e se alegrar, essa é a sua recompensa nessa vida que vai contra qulquer sentido que tentemos dar a ela engarrafando-a para que pareça mais segura.

Seguir a simplicidade sem buscar enfado para a alma; fazer o que está em suas mãos com toda a força que puder; não deixar-se enganar pelos loiros da fama, do status. Todas essas coisas trazem canseira à alma e enfado para o corpo, são apenas vaidades, diria Salomão.

Desejo identificar todas as minhas seguranças para simplismente abrir mão de cada uma delas, e ir ao encontro do desconhecido, pois, desconhecido é a vida, o amor, e Deus. Sentir seus sabores é de uma necessidade indizível, para mim ao menos.

Nele, em quem conhecer é provar o seu sabor, pois, não há nada que o comprove como sendo "bom" se de fato não for provado.

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