sábado, 1 de junho de 2013

ATEU?


sobre águas


Fé é crer n'Aquele que enviou a Cristo. Ateísmo não sei o que é.

O "ateu" para mim é um ser humano dependente da Graça de Deus assim como eu, e tem a chance de por meio daquilo que Cristo diz, ou nos textos bíblicos ou no coração, viver dias de Paz. O Evangelho, muito diferente do Cristianismo, traz a "salvação" para Hoje e não para um pós-morte. Assim, se Deus NÃO é experimentado Hoje como alimento para a vida, pão para se alimentar, vinho para se alegrar no dia chamado Hoje, então as penas existenciais de Hoje vencerão aquele que crê numa salvação apenas pós-vida, como se fosse só lá, depois dos portões celestiais que se vive em Paz, ou ainda daquele que não creu em Deus, n'Aquele que só Cristo pode revelar ao coração humano, Aquele do qual posso até tecer longos discursos sobre quem Ele É, porém, que estarei dizendo do que Ele É para mim e em mim, mas isso jamais terá valor capital e visceral para quem ouve, a não ser se em minha mensagem houver aquele "Vem e vê" e o indivíduo ouvinte for ele mesmo, sozinho, em direção a Ele (Cristo). "Saber é sabor", só se sabe Deus conhecendo-O, saboreando-O numa relação individual com Ele, sem as mediações dos "sacerdotes" sejam esses os amigos, namorados, noivos, cônjuges ou pastores, bispos e líderes religiosos. Não se prova a existência de Deus, de forma nenhuma, nem pelos meus atos, assim se digo que pelos meus atos Deus pode ser evidenciado então já não faz sentido dizer que Ele não pode ser provado como evidência na existência já que apareceu uma prova, os atos dos que creem. Não! De fato, não! Nem Jesus pelos seus atos provou a existência de Deus. Se João Batista pôde ouvir aquele "Creia pelo menos pelas obras, os mancos estão sendo curados, os cegos veem, os paralíticos se levantam", ai, se João Batista não pudesse ouvir que essas coisas podem ser imitadas pelo próprio Diabo pois ele também pode oferecer esse "reino dos céus" feito de visibilidades e suntuosidades. O absurdo da Fé é que ela não tem SINAIS, não é CONHECIMENTO INTELECTUAL, não é algo que se reconheça no âmbito do finito e transitório.

A Fé exige que ela seja o que É, Fé somente. E O justo viverá de Fé em Fé.

Citando de longe Dostoievski, se Jesus quisesse uma multidão o seguindo Ele o teria conseguido, teria no deserto transformado pedras em pães e então alimentado toda a multidão, pois a multidão segue qualquer um que ofereça "pão" a ela, ela O seguiria pelo "pão", pelo milagre. A multidão quer o milagre, o milagre é válido para que sigam a Deus, mas nem isso Cristo sustentou no mistério da Fé que o Evangelho revela! Não! Nem ao menos para ele se jogar do Pináculo do templo e conclamar os anjos para O salvar e assim tornar isso visível a todos para que cressem que Ele era de fato Deus, isso Ele não o fez, manteve a Fé onde ela exige de si mesma que esteja: no crer. Cristo negou que O seguissem pelo milagre, e deixou aos homens o mais difícil das tarefas: segui-lo por amor. Ele, Cristo, ainda poderia ter tomado o reino do mundo por assalto, governado com Paz e esplendor dignos de uma divindade vitoriosa e poderosa em si mesma, de modo que também fosse esplendor para os homens, porém, Deus não o fez, negou também tomar para si o reino. Se tomasse o governo do mundo e fizesse tudo caminhar à perfeição então teria todos os homens como seguidores, porém, que ofereceu um reino tomado por consciência. Ah! "Consciência" o pior dos fantasmas da mente humana. Deus negou aos humanos também o reino feito de perfeições visíveis ou sensoriais. Jesus negou tudo isso a todos. Pelo "pão" teria todos os homens e a humanidade como seguidores; pela salvação política e social o teriam conclamado "Rei"; pelo milagre teria todos ao seu redor o conclamando “Deus”. Cristo porém negou-os tudo isso e quis somente que os homens o seguisse por amor, consciência, e fé. O fato é que Jesus exigiu demais dos seres humanos. Então veio a igreja, e a igreja ofereceu o "pão", o "milagre", o "reino" onde se come "o melhor dessa terra". A igreja negou Cristo e tomou as carências do homem para si, e assim esse homens se tornaram presas fáceis para elas.

Assim, a Fé é ISSO! Não há um sinal sequer! Quem a vive sabe de si mesmo para com Deus, e Deus o reconhece como Seu! E não se enganem, o Evangelho é ruptura que acontece no "eu" quando ele (o "eu") se coloca em Deus como Aquele que é a síntese do humano. Ruptura essa que divide existências entre homens e homens. Porém, que vivem todos no mesmo ambiente, e o Evangelho não tira ninguém desse ambiente, do lugar geográfico, mas livra do ambiente existencial de um "eu" posto fora de Deus e assim largado aos ademanes da angústia e do desespero. Não se enganem, o Evangelho é ruptura entre os que "passaram da morte para a vida" e os que, em não crendo, permanecem mortos. Ele é ruptura entre quem vive em Deus e para Deus e aquele que vive em si mesmo e para si mesmo. Ele é ruptura entre aquele que vive o Hoje "como se não houvesse amanhã", que é a fobia da morte, e aquele que já passou do temporal para a eternidade. JÁ passou porque vive nela agora, nesse mundo aqui mesmo. Não espera que os portões celestiais sejam abertos, porque já entrou por ele.

Fé não é uma conclusão absoluta alcançada por meio das relativizações intelectuais evidentemente perceptíveis embasadas numa lógica dissimuladamente indestrutível, não, o nome disso é desespero; a Fé, porém é um ponto absoluto de onde se relativiza toda a existência e torna Deus O mais perceptível e inegável Autor de toda a Vida.

"Quem não tem pecado pode mostrar a alma nua e crua", e foi isso que Cristo fez, faz, e continua fazendo, retira o pecado do indivíduo, o “pecado” é não se achar, perante Deus, perdoado. É esse o Evangelho. Você está liberado para ter a consciência de que se está "pelado" diante de Deus, flagrante o tempo todo, e ACEITO, em Cristo, pois toda a lista de DÍVIDA que era contra a gente foi rasgada e pendurada na Cruz com o inscrito: Está Pago! Está Consumado! Está feito! Acabou!

Vá! Volte para os seus e ame-os, sabendo-se livre por Ele, sabendo-se ACEITO por Ele, HOJE, AGORA.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

SE PUDESSE DECRETAR ALGUMAS COISAS

marta_maria


Espera-se coisas demais quando se diz de um relacionar-se com Deus. Espera-se que Deus cure a nossa alma, mesmo na maioria das vezes não sabendo exatamente qual a doença real. Expectativas infindas nos colocam longe do relacionamento com Deus. Arrisco a dizer que Deus não quer transformar sua vida, não quer salvar sua existência, não quer mudar você. Se pudesse dar um aval para que todos pudessem assumir e crer nisso, então daria com toda a responsabilidade possível, sabendo muito bem o que estava decretando. Diria até que Deus não quer nem amar. E se alguém me perguntasse então o que Deus quer diria que Ele não quer nada. Nada. “E o que Ele está fazendo numa hora dessas então?”, poderiam me perguntar. Diria que Ele estava bem à porta dos corações humanos, ouvindo-os, contemplando-os, dialogando com eles, sorrindo, brincando, alegrando-se, enfim, Amando-os o tempo todo. Mas, não porque Ele quer, mas porque Ele É.

Se eu pudesse, escreveria uma carta a todos os mundos possíveis e diria que está liberado para se crer que Deus não quer mudar o futuro de ninguém. E mais uma vez diria que Ele está ai do teu lado, enternurando-se da tua companhia. Seria um outro decreto esse, “Deus não quer mudar seu futuro”. Ele não quer nada.
O tempo todo pessoas querem saber qual é a vontade de Deus. Escolhem a pior parte. Atarefam-se para saber o que Ele quer, quando Ele quer, porque Ele quer, e se não quiser que seja exatamente assim, e se quiser de outra forma, como Ele quer. E se alguém assim me dissesse com tom de repreensão “o que estás a fazer ai parado? Não vês que tendes de agradar ao Senhor? Tendes que saber qual a Sua Vontade para isso! Tendes muito a fazer, pois, para saber qual a Vontade de Deus para então servi-lo como Lhe agrada!”. (E essa história eu paro por aqui, e fico por aqui).

Pai! Quando essas pessoas ouvirão a tua mensagem? Quando se abandonarão em Ti assentando no Teu colo como faz a criança que nem mesmo sabe quem És? Quando farão como a “pecadora” e se atirarão aos Teus pés chorando a alegria da eternidade, a alegria de ter a Ti em eterna companhia? Quando farão como o “publicano” que embalado por Ti rogou-lhe misericórdia só por saber com alegria que misericórdia já estava posta à mesa para quem quisesse dela beber e comer? Pai! Quando quererão entender que satisfeito estás em comer com a gente e só isso?

Pai! Quando foi que me revelastes essas coisas? Quando foi que aconteceu que nem mesmo vi e quando percebi estavas olhando para mim sorridente, amável, alegre, terno? Quando foi que perante tantos afazeres meus olhos viram a Tua glória, a glória que não transformou pedras em pães, que não se mostrou no “Todo Poderoso”, que não quis reinos e impérios, mas que assentou-se comigo, vermezinho que sou, para me Amar o tempo todo? Quando, Senhor, que não vi, não sei o dia nem a hora? E em verdade não quero saber dos “quandos”, pois, minha temporalidade perdeu a noção dos ponteiros do relógio, foi tragada pela eternidade fazendo de cada segundo algo que já não se pode dizer, nem explicar, mas apenas viver, e só.

Ainda ouço, meu Jesus!, inúmeras vezes dizendo a muitos, e tomara que ouçam: "Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária” - e Ele continua – “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lucas 10:41-42).

amor-de-deus


Se o Teu Amor não me curar, nada mais o poderá! Eu sei! Contudo, também sei, continuarás me Amando, e eu aos Teus pés!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

“AQUELE QUE AMA CONHECE A DEUS”, E QUASE NUNCA É ASSIM!

pes


“Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.” (1 Jo: 4:7b)

“Conhecer a Deus”, no verso, é um fato, uma verdade sobre “aquele que ama”, porém de outra forma se dá o início do verso que lentamente se transforma não numa afirmação mas numa pergunta: “Quem ama?” ou ainda “O que é esse amar-conhecer-a-Deus?”.

Continuamente, ouço dizeres de pessoas afirmando isso aleatoriamente: “Quem ama conhece a Deus”. Como um grito de um bêbado já na dissolução de suas condições psíquicas aceitáveis como “sãs” dizendo de cima de um banco ou de uma plataforma qualquer que “ele ama a todos e que todos são seus amigos”, e termina sua proclamação batendo no peito para enfim assinar a verdade e a fidelidade do seu discurso, o qual no dia seguinte rir-se-á de si mesmo e perguntará aos amigos “Fiz isso mesmo? Que cômico!”, assim também se torna esse famoso alarde “Quem ama conhece a Deus”. Se com isso não se estabelece o trágico irrefutavelmente termina no cômico.

Pois, que o Amor é uma tarefa para toda a vida e só pode apropriar-se dele no conhecimento de Deus, pois Ele é Amor. Contudo, Ele sendo Amor, não o é como dizem ser o amor todas as vozes de todos os “eus”. A ele não foi dado a conhecer o Amor, porém que conheceu o amor de que tanto os homens falam e não viu neste senão desespero. Assim, quem ama pode nunca ter conhecido a Deus, sendo assim “aquele que ama” nem mesmo se conheceu Amado um dia pois que não experimentou nem conheceu o Amor, mas conheceu e experimentou apenas o amor, esse dos homens que nada é senão desespero. Quem de fato foi Amado por Deus não convida o indivíduo a ser amado por si mas diz “Deus Ama! Vá e veja!”. Esse não recomenda a si mesmo mas aponta para Deus e diz “conhece-O”.

Caso que logo me vem à mente é o daquele “Jovem rico” que tendo “amado o seu próximo como a ele mesmo” não pode senão apenas escandalizar-se com as palavras de Jesus, pois que era rico demais de amor e de prosperidade, de amor e auto justiça, de amor e louvor a si mesmo; era rico demais para aceitar ser Amado por Deus, e pesaroso saiu da presença de Jesus e descobriu a resposta da pergunta que fizera “Que me falta ainda?”: Lhe faltava saber-se-ser Amado por Deus, só assim seus olhos seriam abertos para enxergar sua pobreza e seu enganoso amor por Deus; só assim reconheceria Nele a convergência de todo o seu ser; só assim deixaria de ser o “possuidor de muitos ‘bens’” e teria em si o Bem dos céus: O Amor do Pai!

Nem de longe chegou a ser aquele homem que contemplou O Tesouro e vendeu tudo e comprou o terreno inteiro onde O Tesouro estava escondido, abandonou seu eu em Deus, abandonou-se em Deus, tornou-se um demente para o mundo e ganhou a Vida em Deus. Aquele jovem rico estremeceu-se perante Cristo, entristeceu-se, angustiou-se, pois que viu as linhas de seu manufaturado amor serem desfiadas uma a uma. Amou ao próximo mas não pôde amar a Deus. Pois, que nem mesmo se conhecer Amado por Deus fora, e esse é o engodo do amor dos homens: Podem fazer boas obras porém não podem seguir O Mestre. Desse mesmo modo, fora o tempo todo Amado por Deus, porém preferiu, nos âmbitos estético-existenciais, amar a si mesmo com toda a força do fazer o bem ao próximo. Fato é que sem ser Amado por Deus nem mesmo conheceu a si mesmo, e não necessário seria dizer que nunca nem mesmo enxergou o “próximo”, pois nunca o soube. Enxergar o próximo é uma dádiva, é um enxergar de Deus doado ao indivíduo pelo Seu próprio Amor, só Deus conhece o "próximo", só Ele pode nos mostrar quem o próximo é, e seu ensinamento começa quando seu Amor nos leva até o limite da morte, bem ali no cume do Moriá, e nesse caso não somos Abraão, somos Isaque e Deus está com o cutelo na mão, e contra todo o possível quer terminar a grande obra, contra toda a finita moral, contra toda a finita ética. O “eu” vê Deus levantando-se contra a vida e só lhe resta duas alternativas: Desesperar-se, entristecer-se até a morte e deixar a presença Dele, pasmo e pálido por não suportar tal coisa, sair dali crente que a voz que ouviu era uma voz de si para sim num comento de completa demência; ou crer, crer em Deus, crer que Ele irá exigir o que pediu de um forma ou de outra, porém que exigirá o cumprimento também se sua própria promessa, e Isaque voltará para casa nem que seja ressuscitando dos mortos, como de maneira simbólica assim o foi. Quem crê se torna como aquele paciente à sala de cirurgia que diz ao médico “estou pronto”: ai está toda a justiça do Eterno, que se creia Nele. À semelhança do jovem rico, ainda haverão, como há, muitos que dizem “não mato, não roubo, não levanto falso testemunho, honro meu pai e minha mãe, e amo meu próximo como a mim mesmo”, porém lhe falta ainda uma coisa, a coisa da qual diante dela todas essas outras sucumbem como “trapos de imundícia”, a saber: ser ENCONTRADO ACHADO em Deus, Amado por Deus. Só conhece a Deus quem por Ele se reconhece Amado, e, quem assim vai sendo, também vai conhecendo a si mesmo e Ama, e consequentemente vislumbra a possibilidade desse ser chamado “o próximo”, como havia dito: todas essas coisas são dádivas de Deus, doações divinas, nada vem de nós.

Certo é que alguns dirão terem sidos instruídos no amor de deus-pais, deus-irmãos, deus-amigos; e certo sempre será que se é assim então necessário é abandonar tudo e nascer de novo, pois que o coração desses terão tornado-se demasiado idólatras. Porém, que nasçam de novo, que morram, e que vindo a morrerem também germinem e cresçam e deem bons frutos, frutos do Amor e não do amor. Caso contrário, se não morreu para o amor é porque não conheceu o Amor. Seu destino é terminar como um grão de trigo que insistiu em ganhar sua própria vida: numa amargura solitária.

Só Deus é Amor, assim: sem “desculpas”, sem “mas”, sem “depende”, sem “medos”, sem falta de fé.

Somente Ele nos salva, Hoje, e só, pois que o Amor dele no transformará em “outros” homens!

Quem nunca sentiu o amor condicional dos próprios pais? Da própria mãe? Sempre amando com a vontade de que o filho tenha um sucesso dentro daquilo que eles mesmos concebem como sucesso! Quem nunca experimentou o amor amigo de quem sempre esteve ao lado esperando que você não fosse exatamente você mas que se comportasse com decoro diante deles? Quem nunca sentiu o amor dos líderes religiosos sorrindo para você na esperança de que você conserte seu caminho segundo o que para eles é conserto? Quem nunca sentiu o amor dos homens, que aproximam-se de você mantendo uma certa distância nunca se envolveu com esses: é que também não conheceram o Amor, assim apenas amam mas estão longe de Amar como Deus Ama.

Meu convite é o convite da fé. “Sem fé é impossível agradar a Deus”, assim como Cristo é o agrado de Deus em nós, por nós, e através de nós. Mas primeiro, em nós. Meu convite é que creias no Amor de Deus e assim abandone-se Nele, numa confiança total, desvencilhando-se de tudo o que seu próprio “eu” se prendeu: medo, angústia e desespero. Meu convite é o de rasgar o peito como a “pecadora” na casa do fariseu, e aqui não chamo a “culpa” para esse meu convite mas justamente para o livrar-se dela, da culpa; não chamo aqui a condição moral da “pecadora” para emocionar meus leitores mas chamo a atenção para o salto da fé, livrou-se de todas as possíveis e concretas culpas, disse para si mesma após ter visto O Mestre: Ele me Ama! Ela contemplou a glória de Deus! Agora, a “pecadora” de Israel viu o prazer que Deus tinha nela, o quanto Ele a amava o tempo todo. Nunca exigiu dela nenhum conserto, nunca dela se apartou pela lista do “pecado”, nunca dela quis nada senão Amá-la mais que tudo. Um novo tempo se abriu perante os olhos daquela mulher. E ela Amou a Deus, pois que foi liberta do amor para o Amor. E começou naquele mesmo instante os primeiros atos de Amor semelhantes aos do Pai: “[...] aos pés Dele, chorava; e com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, a enxugá-los com os cabelos, a cobri-los de beijos e a ungi-los com o perfume”. Da mesma forma, em outro lugar, Jesus “levanta-se da mesa, depõe o manto e, tomando uma toalha, cinge-se com ela. Depois põe água numa bacia e começa a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido”. Só após ser Amada é que apropriou-se do Amor, e a fé daquela mulher então a salvou porque enxergou que entre ela e O Mestre não havia véu algum que os separassem. Tudo compreendeu e dali para frente creio que muito amou como o fizera naquele exato momento que era esmagada de Amor, o Amor de Cristo por ela.

Meu convite é esse, o de se entregar a Esse Amor de Deus, que expresso na “pecadora” Ele banha os teus pés, os teus mesmo, leitor! com as próprias lágrimas e as enxuga com os cabelos, e beija-te e unge-te, e perfuma-te de Amor. Meu convite é esse, que te entregues a esse Amor Escandaloso que implora para que de graça aceites Dele o Perdão, pois jamais se alegrará em estar longe de alguma das distintas ovelhas de seu rebanho, o rebanho da dispersão. E que jamais vejas a si mesmo nos olhos de Deus como a(o) “pecadora(o)”, mas como filha(o) do Pai, Amada(o) de Deus.

O primeiro “próximo” na vida daquela mulher fora o próprio Cristo, quando o próprio Cristo Amou-a, e ela então, em verdade, conheceu 'o próximo', e este é sempre o primeiro que está perante a gente, e Amou-o porque conheceu antes o Amor de Deus”

“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou...”. (1 Jo. 4:10).

sábado, 27 de abril de 2013


para-pregar-o-amor-de-deus


Sempre que um alguém olhando para o céu disser “Deus não existe!”, ou se ainda um outro olhando para a exuberância do mar e toda a paisagem disser “Ah! Deus existe!”, então é certo que ambos nunca conheceram a Deus, pois que negam ou afirmam a sua existência olhando para o lado de fora. É isso mesmo! Ambos da mesma forma estão certos: Deus não existe do lado de fora; e também não há como negar um Criador olhando para toda a criação. Porém, só é possível conhecê-lO do lado de dentro, olhando para dentro, é lá que Ele mora, é lá que Ele sorri. ("O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas”. Atos 17:24).

sexta-feira, 26 de abril de 2013

pecado

De fato, para quem se apropriou do Evangelho, "pecado" não é assunto. E ainda mais, se de "pecado" se quer falar, "pecado" é não crer que Cristo perdoou todos eles, quem não crê nisso está em pecado. Pois, que o pecado tem sua força no "não toques", "não proves", "não manuseies", enfim, tem sua força na Lei, porém Cristo é o fim da Lei para justiça de todo aquele que crê que perdoados estão todos os seus pecados, os que já aconteceram e os que ainda acontecerão. A força do pecado morreu na Cruz. Só assim se pode dizer "Graças a Deus!", de outra forma se dá graças a Deus em medo e pânico da condenação, da morte, e do inferno: Se dá graças a Deus sem de fato estar experimentando gratidão no espírito.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

JUÍZES DO ÓDIO

odio
Não aceito juízos descomedidos e desumanos sobre qualquer pessoa que conheça ou não, posto que sei quem sou e como desejo ser levado em conta e assim levo em conta o meu próximo em seriedade e responsabilidade. Quem espera de mim juízos condenatórios, preconceituosos, arrogantes saiba é toda sua a perda do próprio tempo.

Sim! Estou aprendendo com Jesus que ensinou a um fariseu que ele podia aprender a amar com uma puta de Israel que se agarrou aos pés Dele em lágrimas e a alma nua, ela sabendo que diante de todos e de Deus nenhum álibi moral ou ético poderia ser invocado. Sim! Ela não era digna, coisa que um religioso jamais poderá aceitar a não ser que, como o grão de trigo, morra para que dê bons frutos.

Assim, também Jesus mostrou que se assentar na roda dos escarnecedores é se assentar com aqueles que fazem uma ideia de si além do que de fato são, e esses não amam senão o próprio ventre e seus ideais não passam de iscas para pegar aqueles que alimentam o ego deles, bajuladores.

Ainda Jesus convidou-me a assentar ao lado Dele quando diante Dele arrastavam uma adúltera pega em flagrante, e quando aqueles arrogantes citavam versículos de Êxodo, Deuteronômio, Levítico, Números dizendo "a lei diz para apedrejar, matar..." Jesus diz para atirar a pedra aquele que nunca pecou. Sim! Jesus me convida a assentar ao seu lado diante da adúltera e ver o amor de Deus se envolvendo sem preceitos morais ou éticos com a tão vil pecadora. Sim! Todos deixam suas pedras e se vão, desde o mais novo ao mais velho. Vão-se e não ficam aos pés de Cristo, vão-se cheios de culpas, envergonhados no ego, sentindo-se falhos diante da ergometria moral mas incapazes de reconhecer a monstruosidade em si mesmos à ponto de querer apedrejar até à morte uma mulher pelo pecado dela afim de esconderem seu ódio por detrás do "preceito de Deus", e de mascararem a falta de amor diante do "mandamento". Arrogantes! Estúpidos! Sim! "Raça de víboras e hipócritas"!

Vão-se para casa todos eles sem pararem perante O Mestre, olharem em Seus olhos e se curvarem em humilhação, sim, pois Jesus sendo Deus não considerou todo Seu poderio algo ao qual deveria se agarrar, muito menos Sua divindade Santa e sem uma sombra de mancha sequer; sendo todo Luz se entregou em ternura aos excluídos, aos indignos, e envolveu-se com Eles, nas mais densas trevas, em amor irrevogável e irrefutável. Porém, aqueles homens, do ódio, não sendo Deus desejavam ser deus, porém, não Deus como Jesus O foi, pois o Deus que Jesus revela aos homens dessa extirpe não faz jus ao deus que eles têm em suas mentes! Não! Jamais aceitarão o Deus que é Amor e que julgou a humanidade na Cruz se fazendo santidade, justiça e redenção por todos e para todos por todas as eternidades possíveis. "Vão aprender o que significa: Misericórdia quero e não sacrifícios e o conhecimento de Deus mais do que holocaustos, se soubessem isso não teriam condenado os 'inocentes'". E que afronta Jesus não faz ao chamar de "inocentes" aqueles que religiosos, moralistas, e adoradores da ética chamavam de "pecadores".

Mas a adúltera fica, ela fica sozinha diante de Cristo! Preste atenção: Ela fica! Todos se vão mas ela fica! Sim! Virão as prostitutas, os adúlteros, promíscuos, beberrões, os moralmente indigentes e se assentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó e sorrirão juntos, e cantarão canções, e se deliciarão no amor do Pai, e Deus não se envergonha de ser chamado de "Deus de todos eles", "Deus de pecadores", "Deus que se assenta com pecadores", "Deus que veio para os pecadores", "Deus que se assenta na roda dos escarnecedores", Deus que ama, mesmo, de verdade, sem essas idiossincrasias hipócritas humanas e religiosas babantes por ver se cumprir no "pecador" o ódio e indiferença enraizados em si mesmos. Deus dos indignos!

É assim! Comigo o chão é mais embaixo, se Deus amou a mim, o mais indigno, com certeza ama qualquer um outro, sem demagogia, sem verborragia, mas de fato.

terça-feira, 16 de abril de 2013

DOIS CAMINHOS

dois caminhos

Há dois caminhos a seguir: um onde não se tem consciência do pecado e outro onde há tal consciência. A diferença entre eles não está entre "pecadores" e "não-pecadores", mas em que, todos sendo pecadores distintamente, aqueles que tem consciência do seu pecado podem também experimentar o perdão de Deus continuamente, e assim, no caminho, enquanto aprofundam a consciência a respeito de quem são também aprofundam a consciência do quanto são amados por Deus. Pois, se um dia foi dito que o pecado separa o homem de Deus, digo que o próprio Deus destruiu a separação. E estando livre o caminho não fomos até Ele mas Ele veio até nós, e continua até a consumação dos séculos.

terça-feira, 9 de abril de 2013

AOS PÉS DA CRUZ

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Esses dias eu comentei com um brodaço meu: "Cara! Tô começando a crer no Evangelho!". Ele achou um absurdo eu ter dito isso e até comentou que essa minha frase vinha da complexificação que eu dava à Fé. (Deu vontade de bater na cara dele que nem o Batman faz com o Robin quando comenta uma besteira: Pish, pish..."Cala a boca seu idiota! Eu fiz um comentário e não uma pergunta"). Mas imagino que tenha soado absurdo para ele posto que ele sabe a energia que invisto lendo a bíblia, estudando sobre ela, lendo livros de pessoas que creram no Evangelho e que dão testemunho dele e tudo o mais. Como poderia eu não ter crido há muito tempo? Ora! Quem disse que tudo isso faz alguém crer? Eu experimentei algo há pouco tempo: a falência dos meus esforços. Já tinha lido sobre coisas do tipo, mas ler é uma coisa, falir é outra. A falência de tentar dar conta do existir, de encontrar por mim mesmo outra realidade, de "sair" da massa, do sistema... E que canseira isso me deu! Angústia, desespero, amargura, clausura... Aí fui à falência total dessa "busca". Quando vi que não podia encontrar então algo me encontrou. Algo que, depois que fui encontrado por ele, fui vendo que a paz e a alegria geradas por esse "algo" foi batendo com a simplicidade do Evangelho. Foi aí que disse ao meu brother: "Cara! Tô começando a crer nesse Evangelho!". De repente, aquele amor ali de Deus foi fazendo muito sentido, como se tudo agora fosse ligando uma coisa na outra e pensei "Caralho! É isso mesmo!". E aí fui vendo que o Amor amou o mundo mesmo, não o planeta terra, mas a existência dos homens, "O mundo", essa desgraça mesmo feito de, como diz o Renatão, "esse 'mundo' de covardes, assassinos, estupradores e ladrões, as crianças mortas, a desunião, a violência". O Amor amou e se envolveu mesmo nessa desgraça toda. Ele se envolveu na minha desgraça e colocou aqui dentro de mim o perdão de tudo, até do amanhã. E eu falei com Ele: Mas sempre ouvi esse discurso de que fui perdoado mesmo. Era verdade? E está escrito aqui dentro de mim: "Sim! É verdade! Você está perdoado, MESMO!". Pô! E alguém me pergunta "como?". Ah! Sei lá meu caro! Sei que ontem eu estava desesperado, e hoje estou provando alegria. E estou vivendo de uma CERTEZA e CONVICÇÃO e VIDA que não está contida nem em um zilhão de livros, nem dos homens mais cultos do mundo. Estou certo de que Cristo vive, mesmo, aqui em mim. E de que a eternidade me alcançou, e agora eu tenho a prova em mim mesmo de que a eternidade é para agora, se prova as bem aventuranças da vida eterna agora. E graças a Deus, essa paz está aqui, dentro de mim. Não me pergunte "como?", se eu soubesse eu mesmo seria Deus.

Pô! Se Deus sendo quem Ele é veio habitar em mim, então logo Ele não é quem a gente achou que ele era, pois amou um miserável que nem eu, e pra complementar veio habitar o meu lixão, e tá comigo em todas as merdas: nas bebedices descomedidas, na putaria, no vício, no inferno. E vai me dizendo o que é vida e o que não é. Acho que vou dizer para aquele meu colega do início: "Cara! Tô sacando o que é 'Amor'!".

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

ESSA NOSSA EXISTÊNCIA: O MERCADO DAS DORES

loucura

O mercado das flores se tornou em mercado das dores. Tornaram as flores obsoletas, e passaram a vender a dor sem nenhum medo de que alguém visse e denunciasse. Ah! Parece que muitos, ou todos, até eu mesmo, não consegue ver. Passo pelas barraquinhas e camelôs das tragédias onde o ser humano está sendo comprado ou vendido, banalizando a necessidade real, banalizando o que de fato mata a sede e a fome humana. Banalizando a vontade e transformando-a em capricho, em mesquinhez. Já que ninguém sabe bem o que deseja, e se de fato deseja o que se quer e se quer o que deseja, transformaram esse limbo em um alvo. Alvo do capitalismo. Compram e vendem a nossa alma o tempo todo. Não há nenhum que se comprometa, ou se interesse. O humano não é mais algo ao qual se deva importar, é apenas algo que se deva vender ou comprar: uma mercadoria.
Eu mesmo me pego, vez em quando, sendo atraído pelas vendas. Vendem-me o desnecessário: o consumismo, o não-necessário, a ansiedade, a angústia, o desespero. Há sim um antecedente, vendem-me primeiro a sede e a fome pelo supérfluo, passageiro. Tudo que me vendem, me compra.

Desde que esqueceram Deus, desde que Deus morreu no coração humano, tudo passou a ser permitido. Toda vez que Deus morre dentro de mim, meu coração se torna em alvo fácil para o consumismo capitalista, a alma se torna mercadoria. Torna-se, a alma, num dissoluto qualquer, sem consistência, sem base, sem vida. Tudo é tudo, nada é nada; tudo é nada, nada é tudo. Tudo se torna relativo. O ser humano se torna em relativização. Pode-se vender qualquer um desses humanos. Posso ser vendido por qualquer preço, qualquer quantia. Se Deus está morto, tudo é permitido. Se o Amor está morto, tudo é permitido.

Esse tipo de existência criada pela gente, engole a gente. Toda vez que alimento esse fluxo, alimento o que me destrói. Há os que jamais se conscientizaram, aqueles que não enxergam, diriam que não tem nada a haver. É tudo bobagem. É tudo uma não auto-adaptação. E assim, a morte em suas variadas representações vai matando os nossos dias, os nossos relacionamentos, a nossa paz, a nossa quietude.

Sonhos? Quem poderia de fato discernir os próprios sonhos nesse mercado das dores? Quem não comprou um desses sonhos oferecidos já cedo de manhã, de boa aparência, agradáveis aos olhos, de aparência palatável, desejável para a expressão da, contraditória, sensação de liberdade? Quem hoje pode discernir de fato quem se é, o que se quer? Tudo foi comprado, a verdade foi vendida, e no lugar da verdade colocaram a gente-mercadoria. Mas não é assim que intitulam, alguns achariam estranho serem chamados de mercadoria, só alguns. Chamam isso autonomia, liberdade, “carpe diem”. Jamais um vendedor de “sonhos” sairia gritando por aí: “Venham! Comprem o hedonismo, comprem o vício, comprem o que alimenta a sua destruição, comprem a vossa vaidade inútil de cada dia… Venham… Venham…”. Ah! Pelo menos alguns achariam estranho, e basta alguns para que a denúncia aconteça e comece a contagiar os muitos.

“A dor é algo da qual se deve fugir”, gritam dos telhados os mercadores. Quem poderia suportar a sabedoria que diz “Basta a cada dia seu próprio mal”? Ah! Mas a serpente é mais astuta! Ela diz, “Tudo bobagem! Nós somos deuses! Podemos tudo! Não há nada que nos mate, e se houver nós mesmos destruiremos a morte!”. Ah! Astuta serpente, a melhor das mercadoras. Fico por aqui e deixo-vos com a sabedoria que também grita dos telhados, e que vem dos céus:

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco”. (Paulo, o de Tarso - Filipenses 4:6-9).

sábado, 5 de janeiro de 2013

O melhor presente

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Dizem que dar uma flor representa algum tipo de afetividade, seja amor, amizade, seja um pedido de paz, ou seja lá o que for. O certo é que para além dessas representações não faço a menor ideia do que significa dar uma flor a uma mulher. Resolvi dar eu mesmo os meus significados. Não sei muitas coisas, mas tenho uma criatividade para inventar que parece um dom. E não sei se quero falar das cores, ou das formas. Quero falar do visceral, do que existencialmente e transcendentemente existiu. Quero falar da cena que compreende alguns minutos e se repete e repete, e repete… E fica assim congelada, como num curta metragem, como num segundo de vida na vida.

Começo então pela simples vontade de presenteá-la com algo que a agrade. É necessário ser bem cauteloso nessa hora: Nem sofisticação demais, nem simplismos. A hora é de tensão. Como dar algo que suscite o riso mais doce no rosto da pessoa em quem você está constantemente pensando? Cruel e catastrófica essa pergunta. Depois que se faz essa pergunta os possíveis presentes ficam pálidos, meio que amarelados, nenhum deles parece chegar perto do objetivo que só de pensar parece inalcançável. Mas também, que besteira a minha! Qual presente poderia ter o poder de fazer isso: ser manufaturador do riso mais doce no rosto da pessoa que mais nos importa? Já estava por mim mesmo fadado ao fracasso! Tive que esquecer essa pergunta, seria impossível satisfazê-la. Desistir é saudável quando chega a hora de aceitar que não há nada o que se fazer.

Ah! Decidi então escolher um pequeno presente, como dizem, “uma lembrancinha”. Talvez o nome “lembrancinha” seja algo do tipo: “Veja! É pequeno, como eu sou pequeno; e significa apenas que alguém pequenino como eu fiz de você a maior de todas as coisas”. E se então ela me perguntar: “ O que é fazer de mim a maior de todas as coisas?”. Então, acho que, depois de um suspiro, talvez desapontante, diria: “É apenas constantemente pensar em você, e querer seja lá de qual forma te provocar um riso”. Eu mesmo jamais tinha pensado nisso, mas depois daquele milagre foi isso que entendi. Ah! Aconteceu o milagre. Um riso suave e quase imperceptível surgiu na minha face: Ternura. Olhava para todas aquelas “lembrancinhas” e todas aqueles presentes enormes e caros com um olhar leve, era gostoso olhar tudo aquilo e me lembrar dela. Se pudesse daria-a todos e para cada um contaria uma história. Digo história e não estória, porque de fato aconteceu e ficou registrado na memória. Ah! Como ia dizendo, aconteceu o milagre: Recebi o presente. Deus me deu o presente. Fez-me ver ela em tudo, o tempo todo. Se pudesse faria daquele momento um momento eterno. Senti-me como criança, e pouquíssimas coisas na vida fazem a gente se sentir assim: criança novamente. A inocência. O brilho nos olhos. A terna alegria. O presenteado fui eu. Deus me trouxe ela e tirou de mim o riso mais doce. No fim de tudo acho que era Deus quem queria me ver sorrindo, era Ele quem queria me dar o milagre. Ah! E que milagre! Nem “lembrancinhas” nem presentes caros, me deu ela. Ele sabia que só dessa forma arrancaria do meu rosto o riso que fizesse Ele mesmo se alegrar: o riso mais doce de todos.

E como me alegrava ao tirar e colocar de volta tudo que pegava nas prateleiras. Pensava nela e de repente nem sei mais se o que estava olhando era mesmo aquele objeto nas minhas mãos ou se era a lembrança do seu rosto, dos seus olhinhos. Meu presente foi por um momento ter estado tão perto dela que parecia poder tocá-la. Ah! Meu melhor presente foi aqueles objetos terem trago ela de volta para mim. Penso que seja isso: quando ela olhar para aquela flor saberá que ela a trouxe para bem pertinho de mim. Que gratidão a minha! Não pude deixar aquela flor por lá, levei-a para aquela menina por ela, a flor, tê-la trago a mim. Penso, à partir de agora, que cada flor tem uma menina que a espera, por ser dela. E cada flor deve voltar para as mãos daquela a quem ela pertence. Todas as flores estão perdidas em seus galhos esperando serem achadas por quem ama a quem elas pertencem, e ai então serem levadas de volta para a casa.


MEU AMIGO, ALGUMA COISA ESTÁ MUDANDO

Alguma coisa está mudando meu amigo E não sei bem o que é Mas se lembra quando tudo apenas se repetia Então mudanças já são boas...