sexta-feira, 3 de maio de 2013

SE PUDESSE DECRETAR ALGUMAS COISAS

marta_maria


Espera-se coisas demais quando se diz de um relacionar-se com Deus. Espera-se que Deus cure a nossa alma, mesmo na maioria das vezes não sabendo exatamente qual a doença real. Expectativas infindas nos colocam longe do relacionamento com Deus. Arrisco a dizer que Deus não quer transformar sua vida, não quer salvar sua existência, não quer mudar você. Se pudesse dar um aval para que todos pudessem assumir e crer nisso, então daria com toda a responsabilidade possível, sabendo muito bem o que estava decretando. Diria até que Deus não quer nem amar. E se alguém me perguntasse então o que Deus quer diria que Ele não quer nada. Nada. “E o que Ele está fazendo numa hora dessas então?”, poderiam me perguntar. Diria que Ele estava bem à porta dos corações humanos, ouvindo-os, contemplando-os, dialogando com eles, sorrindo, brincando, alegrando-se, enfim, Amando-os o tempo todo. Mas, não porque Ele quer, mas porque Ele É.

Se eu pudesse, escreveria uma carta a todos os mundos possíveis e diria que está liberado para se crer que Deus não quer mudar o futuro de ninguém. E mais uma vez diria que Ele está ai do teu lado, enternurando-se da tua companhia. Seria um outro decreto esse, “Deus não quer mudar seu futuro”. Ele não quer nada.
O tempo todo pessoas querem saber qual é a vontade de Deus. Escolhem a pior parte. Atarefam-se para saber o que Ele quer, quando Ele quer, porque Ele quer, e se não quiser que seja exatamente assim, e se quiser de outra forma, como Ele quer. E se alguém assim me dissesse com tom de repreensão “o que estás a fazer ai parado? Não vês que tendes de agradar ao Senhor? Tendes que saber qual a Sua Vontade para isso! Tendes muito a fazer, pois, para saber qual a Vontade de Deus para então servi-lo como Lhe agrada!”. (E essa história eu paro por aqui, e fico por aqui).

Pai! Quando essas pessoas ouvirão a tua mensagem? Quando se abandonarão em Ti assentando no Teu colo como faz a criança que nem mesmo sabe quem És? Quando farão como a “pecadora” e se atirarão aos Teus pés chorando a alegria da eternidade, a alegria de ter a Ti em eterna companhia? Quando farão como o “publicano” que embalado por Ti rogou-lhe misericórdia só por saber com alegria que misericórdia já estava posta à mesa para quem quisesse dela beber e comer? Pai! Quando quererão entender que satisfeito estás em comer com a gente e só isso?

Pai! Quando foi que me revelastes essas coisas? Quando foi que aconteceu que nem mesmo vi e quando percebi estavas olhando para mim sorridente, amável, alegre, terno? Quando foi que perante tantos afazeres meus olhos viram a Tua glória, a glória que não transformou pedras em pães, que não se mostrou no “Todo Poderoso”, que não quis reinos e impérios, mas que assentou-se comigo, vermezinho que sou, para me Amar o tempo todo? Quando, Senhor, que não vi, não sei o dia nem a hora? E em verdade não quero saber dos “quandos”, pois, minha temporalidade perdeu a noção dos ponteiros do relógio, foi tragada pela eternidade fazendo de cada segundo algo que já não se pode dizer, nem explicar, mas apenas viver, e só.

Ainda ouço, meu Jesus!, inúmeras vezes dizendo a muitos, e tomara que ouçam: "Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária” - e Ele continua – “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lucas 10:41-42).

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