sábado, 5 de janeiro de 2013

O melhor presente

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Dizem que dar uma flor representa algum tipo de afetividade, seja amor, amizade, seja um pedido de paz, ou seja lá o que for. O certo é que para além dessas representações não faço a menor ideia do que significa dar uma flor a uma mulher. Resolvi dar eu mesmo os meus significados. Não sei muitas coisas, mas tenho uma criatividade para inventar que parece um dom. E não sei se quero falar das cores, ou das formas. Quero falar do visceral, do que existencialmente e transcendentemente existiu. Quero falar da cena que compreende alguns minutos e se repete e repete, e repete… E fica assim congelada, como num curta metragem, como num segundo de vida na vida.

Começo então pela simples vontade de presenteá-la com algo que a agrade. É necessário ser bem cauteloso nessa hora: Nem sofisticação demais, nem simplismos. A hora é de tensão. Como dar algo que suscite o riso mais doce no rosto da pessoa em quem você está constantemente pensando? Cruel e catastrófica essa pergunta. Depois que se faz essa pergunta os possíveis presentes ficam pálidos, meio que amarelados, nenhum deles parece chegar perto do objetivo que só de pensar parece inalcançável. Mas também, que besteira a minha! Qual presente poderia ter o poder de fazer isso: ser manufaturador do riso mais doce no rosto da pessoa que mais nos importa? Já estava por mim mesmo fadado ao fracasso! Tive que esquecer essa pergunta, seria impossível satisfazê-la. Desistir é saudável quando chega a hora de aceitar que não há nada o que se fazer.

Ah! Decidi então escolher um pequeno presente, como dizem, “uma lembrancinha”. Talvez o nome “lembrancinha” seja algo do tipo: “Veja! É pequeno, como eu sou pequeno; e significa apenas que alguém pequenino como eu fiz de você a maior de todas as coisas”. E se então ela me perguntar: “ O que é fazer de mim a maior de todas as coisas?”. Então, acho que, depois de um suspiro, talvez desapontante, diria: “É apenas constantemente pensar em você, e querer seja lá de qual forma te provocar um riso”. Eu mesmo jamais tinha pensado nisso, mas depois daquele milagre foi isso que entendi. Ah! Aconteceu o milagre. Um riso suave e quase imperceptível surgiu na minha face: Ternura. Olhava para todas aquelas “lembrancinhas” e todas aqueles presentes enormes e caros com um olhar leve, era gostoso olhar tudo aquilo e me lembrar dela. Se pudesse daria-a todos e para cada um contaria uma história. Digo história e não estória, porque de fato aconteceu e ficou registrado na memória. Ah! Como ia dizendo, aconteceu o milagre: Recebi o presente. Deus me deu o presente. Fez-me ver ela em tudo, o tempo todo. Se pudesse faria daquele momento um momento eterno. Senti-me como criança, e pouquíssimas coisas na vida fazem a gente se sentir assim: criança novamente. A inocência. O brilho nos olhos. A terna alegria. O presenteado fui eu. Deus me trouxe ela e tirou de mim o riso mais doce. No fim de tudo acho que era Deus quem queria me ver sorrindo, era Ele quem queria me dar o milagre. Ah! E que milagre! Nem “lembrancinhas” nem presentes caros, me deu ela. Ele sabia que só dessa forma arrancaria do meu rosto o riso que fizesse Ele mesmo se alegrar: o riso mais doce de todos.

E como me alegrava ao tirar e colocar de volta tudo que pegava nas prateleiras. Pensava nela e de repente nem sei mais se o que estava olhando era mesmo aquele objeto nas minhas mãos ou se era a lembrança do seu rosto, dos seus olhinhos. Meu presente foi por um momento ter estado tão perto dela que parecia poder tocá-la. Ah! Meu melhor presente foi aqueles objetos terem trago ela de volta para mim. Penso que seja isso: quando ela olhar para aquela flor saberá que ela a trouxe para bem pertinho de mim. Que gratidão a minha! Não pude deixar aquela flor por lá, levei-a para aquela menina por ela, a flor, tê-la trago a mim. Penso, à partir de agora, que cada flor tem uma menina que a espera, por ser dela. E cada flor deve voltar para as mãos daquela a quem ela pertence. Todas as flores estão perdidas em seus galhos esperando serem achadas por quem ama a quem elas pertencem, e ai então serem levadas de volta para a casa.


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