terça-feira, 15 de janeiro de 2013

ESSA NOSSA EXISTÊNCIA: O MERCADO DAS DORES

loucura

O mercado das flores se tornou em mercado das dores. Tornaram as flores obsoletas, e passaram a vender a dor sem nenhum medo de que alguém visse e denunciasse. Ah! Parece que muitos, ou todos, até eu mesmo, não consegue ver. Passo pelas barraquinhas e camelôs das tragédias onde o ser humano está sendo comprado ou vendido, banalizando a necessidade real, banalizando o que de fato mata a sede e a fome humana. Banalizando a vontade e transformando-a em capricho, em mesquinhez. Já que ninguém sabe bem o que deseja, e se de fato deseja o que se quer e se quer o que deseja, transformaram esse limbo em um alvo. Alvo do capitalismo. Compram e vendem a nossa alma o tempo todo. Não há nenhum que se comprometa, ou se interesse. O humano não é mais algo ao qual se deva importar, é apenas algo que se deva vender ou comprar: uma mercadoria.
Eu mesmo me pego, vez em quando, sendo atraído pelas vendas. Vendem-me o desnecessário: o consumismo, o não-necessário, a ansiedade, a angústia, o desespero. Há sim um antecedente, vendem-me primeiro a sede e a fome pelo supérfluo, passageiro. Tudo que me vendem, me compra.

Desde que esqueceram Deus, desde que Deus morreu no coração humano, tudo passou a ser permitido. Toda vez que Deus morre dentro de mim, meu coração se torna em alvo fácil para o consumismo capitalista, a alma se torna mercadoria. Torna-se, a alma, num dissoluto qualquer, sem consistência, sem base, sem vida. Tudo é tudo, nada é nada; tudo é nada, nada é tudo. Tudo se torna relativo. O ser humano se torna em relativização. Pode-se vender qualquer um desses humanos. Posso ser vendido por qualquer preço, qualquer quantia. Se Deus está morto, tudo é permitido. Se o Amor está morto, tudo é permitido.

Esse tipo de existência criada pela gente, engole a gente. Toda vez que alimento esse fluxo, alimento o que me destrói. Há os que jamais se conscientizaram, aqueles que não enxergam, diriam que não tem nada a haver. É tudo bobagem. É tudo uma não auto-adaptação. E assim, a morte em suas variadas representações vai matando os nossos dias, os nossos relacionamentos, a nossa paz, a nossa quietude.

Sonhos? Quem poderia de fato discernir os próprios sonhos nesse mercado das dores? Quem não comprou um desses sonhos oferecidos já cedo de manhã, de boa aparência, agradáveis aos olhos, de aparência palatável, desejável para a expressão da, contraditória, sensação de liberdade? Quem hoje pode discernir de fato quem se é, o que se quer? Tudo foi comprado, a verdade foi vendida, e no lugar da verdade colocaram a gente-mercadoria. Mas não é assim que intitulam, alguns achariam estranho serem chamados de mercadoria, só alguns. Chamam isso autonomia, liberdade, “carpe diem”. Jamais um vendedor de “sonhos” sairia gritando por aí: “Venham! Comprem o hedonismo, comprem o vício, comprem o que alimenta a sua destruição, comprem a vossa vaidade inútil de cada dia… Venham… Venham…”. Ah! Pelo menos alguns achariam estranho, e basta alguns para que a denúncia aconteça e comece a contagiar os muitos.

“A dor é algo da qual se deve fugir”, gritam dos telhados os mercadores. Quem poderia suportar a sabedoria que diz “Basta a cada dia seu próprio mal”? Ah! Mas a serpente é mais astuta! Ela diz, “Tudo bobagem! Nós somos deuses! Podemos tudo! Não há nada que nos mate, e se houver nós mesmos destruiremos a morte!”. Ah! Astuta serpente, a melhor das mercadoras. Fico por aqui e deixo-vos com a sabedoria que também grita dos telhados, e que vem dos céus:

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco”. (Paulo, o de Tarso - Filipenses 4:6-9).

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