sábado, 1 de março de 2008

... POETAS


Poetas... "Irmãos das coisas fugídias"... Sim! Seres fugídios. Fogem de tudo, de todos, Precisam enfeitar e embelezar o que para eles é feio e desprezível (porque não suas próprias vidas?). Precisam viajar para lugares longínquos para não sentirem as pedras sob os pés que existem no caminho da vida. Sim... Poetas vêem o que ninguém vê, isso eu não posso negar. Aliás, se não fosse assim jamais seriam poetas, seriam seres normais. Para eles existe um universo transcedental em cada pequena flôr. De sua cor extraem visões que seria necessário ser Deus para entrar em seu mundo. Vêem muitas e muitas outras cores e de preferência escolhem as que ninguém jamais poderá ver, esse é o trabalho do poeta, ver outras cores, sentir outros perfumes, ou, talvez, intensificar tudo isso para que se pareça melhor do que de fato é. Para ele "vermelho" não pode ser apenas vermelho. Tem que ser cintilante como as estrelas, o perfume te que ser arrebatador à ponto de provocar desejos e sensações também trancedentais. Para o poeta a flôr não pode ser apens uma flôr (mas não o deixaria de ser assim?).

Sim. Uma flôr é linda e seu perfume é bom. Quem viu e a tocou sabe como é bom, e quem sentiu seu cheiro sabe do seu perfume. Todos sabem o quanto é lindo um céu ao Pôr-do-Sol. Sim, todos sabem. Também se sabe como é bom assentar-se à beira de um lago em meia ao verde, árvores, bichos, barulhos indiscerníveis... Sim, sabemos de todas essas coisas. E todas essas coisas são belas porque são elas mesmas. O lago continua sendo lago; as árvores continuam sendo árvores; os bichos continuam sendo bichos. E é bom que assim sejam para continuem belos como Deus os fez.

Penso que não deveríamos acrescentar coisa alguma às que já são. O que é, é. Tudo quando há veio da boca de Deus, como palavras proferidas em divina e inescrutável sabedoria. Tudo quanto há é sabedoria de Deus preparadas em amor. A essas coisas jamais deveriamos acrescentar coisa alguma. Que uma flôr seja somente uma flôr e o que passar disso tá nos olhos de quem vê.

Ser poeta é usurpar o direito de ser do outro. O "outro" passa a ser o que o poeta vê nele, o que ele quiser. Ele maqueia, dá um tom sombrio por vezes, suave, melancólico, romântico, alegre, hostil, adverso... Isso tudo enquanto o "outro" continua sendo ele mesmo, intacto, inexplorado, e ainda desconhecido. Assim também, o poeta, faz à realidade. Para ele a vida é, literalmente, uma arte. Uma tela em branco para que ele possa pintar o que quiser, da maneira que quiser. Cores, dores, e amores que preferir. Ah! Se eles deixassem que os seres fossem livres para serem o que de fato são, sonhariam menos, viveriam mais.

Poetas, toquem as flôres, brinquem com os cães, tome uma pomba à mão, megulhe em riachos, lagos, se encham de alegria pela companhia de pessoas amigas ou mesmo desconhecidas. Façam todas essas coisas e vocês verão que a criatividade de vocês é semelhante a ver sua prórpria imagem num espelho embaçado.

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