quarta-feira, 30 de outubro de 2013

AMOR EnFIM

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E qual bondade divina saciará minha fome e sede

Que tenho de toda a tua delicadeza

Que impar como é não se encontra em outros moldes

Moldes com que se amoldam, infelizmente, outras

Nem mesmo essa linguagem pode falar de ti

Nem se possível fosse juntar todas as palavras

Para colher delas toda a diversidade de letras

Tu és outra e única

Faz de todas as outras, outras iguais e comuns

É certo que não entendo

Tornastes inaptos, relapsos, inócuos

Todos os que de ti falam... sem te conhecer de perto

És amor quase que encarnado

Transfigurado no frágil existir humano

És beleza quase que inefável

Mas ainda bem que não és uma deusa

És alguém que posso tocar a face

E por um descuido meu

Pego-me tocando as pálpebras dos teus olhos em pensamentos

E gentilmente dizes para si mesma que é só um carinho

Uma necessidade de te tocar... como uma criança, surpresa, por existires

E estar tão perto

Pego-me encontrando-te em pensamentos

E parece que nunca encontraram o que encontrei

Teus olhos, olhares... e o que de vez me fascina

Tua sina em amar

Minha menina!

Tua sina me encanta

Faz-me sorrir

A lembrança que tenho de ti traz consigo a alegria

E uma certa tristeza gostosa de sentir

Um sorriso semeado nas ruas que sozinhas

Assistem os efeitos que causas em mim

As músicas que se auto interpretam

Para acompanhar tal ensejo

Tal desejo de trazê-la até aqui

Pra bem perto do peito

Como descansando em teu próprio leito

Recostada em mim

Teu amor que se esbanja

Num fascínio sem querer

Numa pergunta (e são tantas)

E as respostas, creio, que já as tenha

Mas me permites o carinho de te responder

Como se me destes a provar algo assim

Que escorre dos lábios num sorriso teu

Que gentileza esse teu jeito

Que quase como um defeito

Me acolhes em ti

Teus olhares deixam-me livre

E não me abandonam

Continuam a olhar para mim

E o amor que neles encontro

Faz-me querer de mim ser parte de ti

Ser desse mundo teu

Onde meu eu quer ser alegre para ti

Tomas-me o que me destes

Sem exigir nada, sem negociar nada

Sem acordos, sem nada escrito ou cravado

Numa tábua cercada de leis

Em teus passos, algo quase que revelado

E quase compreendo

Em teus lábios, carícias escondidas

Por debaixo de tua língua, um favo de mel

Das abelhas mais caridosas

Que sintetizam num tom perfeito

O teu sorriso, esse teu defeito sedutor

Quase que numa única nota

Sombrio seria o teu pranto

Se um dia a visse chorar

Há como dos teus olhos jorrarem águas doces e amargas?

Enquanto a admiro tanto, soa uníssono teu pranto

Teu canto, e no meu canto

Canto também minha tristeza

Desespero em calmaria

Uma acomodação por medo da loucura

Minha constatação mais cruel

O meu amor que por ti é descarado

Como que gritado dos telhados

Como um fogareiro posto em cima duma montanha

Como a alegria leve que emana da criança

Como o dia feito para se fazer novas todas as lembranças

Como aquela conversa que nunca terminamos

Como aquele sussurro que nunca escondemos

Ninguém nunca o soube muito bem

E ainda o procuram saber

És pérola da existência

Beleza contida em si

E o que tenho eu contigo, menina?

Senão amor, paixão

Amo a todos que conheço

Por todos tenho tal apreço

O do de amar quem for o meu próximo

Esse primeiro que aparece diante de mim

Mas por ti tenho o meu endereço

Não vendo, não alugo, não tem preço

Que dele não te esqueças

Que te lembres de mim

Pois às vezes a vejo em minha porta

Enfim, em meu sofá

Sem muito me olhar sentas do meu lado

Sou eu olhando para ti

Ou coisa assim

Por que não soube antes?

Que em instantes tive aquela, a única, que fez parte de mim

Que me devolveu os sonhos, os planos

De construir um jardim onde pudesses brincar

Um jardim feito de ternuras em cada vazo de planta

Em cada canto de porta, em cada janela por onde entra a brisa

Em cada pétala feita de palavras

Em cada cor feita de cumplicidade

Em cada tom feito da gente

Desse amor que quis se assentar

Entre mim e ti

E deu-nos as mãos e nada exigiu para si mesmo

Senão que ao invés de amar a mim

Que amasse esse amor que dele aprendi

Que quando se ama nada quer para si

Quer mesmo que eu a ame como me amou a mim

E quando te percebo vejo que com ele também encontrastes

Vejo-te dando-me algo que só a ele seria digno

Amas-me então com graça, bondade

E nem mesmo disfarças essa beleza criada em ti

Devolvestes-me a mim mesmo

Levando tudo e tudo me doando

Perdi-me: ganhei a ti!

Que nada teria a dar-te

Mas tudo teria ganhando-te

Nada perdi: ganhei o que criou o universo:

O amor... que em teus versos ressoa

Que em tua voz se entoa

Que em teu silêncio ecoa

Difícil é separar “palavra” de ti

É que dizes do amor quando nada moves

Amor… quando nada diz

E se os fazes todos esses e quando deixas de fazê-los

Não és amor em parte, és amor toda e por inteiro

Teus atos dizem do amor

Essa palavra que me lembra teu nome

Tenho ciúmes dessa tua beleza

Tanta pureza que nem sei ser assim

Vejo-me envolto, um pouco e todo

Fazes-me lembrar de mim

Quando criança: aquela felicidade inocente

Quando adulto: aquela inocente felicidade

Não é necessário muita coisa, quase nada

Só a ti e um pouco assim

Esse amor entre nós

Que faz de ti um pouco de mim

De mim um pouco de ti

E basta

 

 

 

 

 

 

 

 

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