domingo, 3 de agosto de 2008

AMIZADE...


Parece que já vi esse filme antes. Não há nada novo. Já voltei pensando que era um recomeço, mas no final vi que cada recomeço era um passo para o fim. Quando achava que abria os braços para o perdão, na verdade o abrir dos braços era para a separação, até então, para sempre. Quando achei que um sorriso poderia curar um montão de feridas, ele apenas mostrou o quanto cada um de nós estávamos machucados, feridos demais para sorrir de verdade. A cada olhar, a cada conversa, a cada gesto, via os vínculos se esvaindo, via toda a cumplicidade e companhia se tornar fumaça. E sumiu, mesmo.

Muito lá na frente percebi que o que nos mantinha juntos era a amizade. O que foi para o fim era exatamente a amizade. Foi-se diluindo aos poucos diante de traições, brigas nunca vistas, disputas nunca declaradas, mas que estavam lá, presentes...

É intensa a dor da rejeição, da traição, da indiferença, a dor de ser facilmente deixado de lado por causa de outros interesses. Tudo isso por causa da amizade. Se existe vínculo mais forte, esse outro deve ser mais forte do que a vida, pois, a amizade é mais forte do que a morte.

Estranho é ver isso se repetindo, ver tudo acontecendo, mas agora vendo de fato cada estação chegando e indo. Cada passo sendo dado para o fim de tudo. Antes só percebi que era para o fim muito depois de ter se concretizado o término de tudo, hoje, vejo o fim de tudo em cada reaproximação, em cada conversa, em cada olhar. É semelhante ao olhar e pedir que não se vá ( e se me permitem os meus leitores), é num olhar marejado que pede-se que não vá. Mas numa dor incompreensível se sabe que tal pedido é na verdade uma certeza e tristeza daquilo que já se foi.

Ela se foi, ele se foi... Amigos se foram... Quando me lembro disso, lembro-me da frase de Salomão que disse que “o amor é forte como a morte”, creio eu que ele estava falando de amizade. A amizade é forte como a morte.

Sinto-me enredado por uma angústia esmagadora e inevitável. A minha pergunta talvez fosse: “porque tem que acabar agora?”, ou, “Teria algum jeito de evitar que isso ocorra?”. Acho que essas são minhas perguntas agora. Minha resposta agora é que: Não pode ser evitado porque não o foi, agora que acabou não se pode ter esperança que não se acabe, posto que, o fim já aconteceu, agora o que ficou foram os olhares marejados dessa certeza, e tristeza.

Amiga... Você se foi. Sinto saudades dos mais simples momentos juntos. Amigo, você também se foi e também sinto saudades das pequenas coisas que vivemos juntos. A saudade é sinal de velhice, diz alguém que não me lembro agora, eu diria que a saudade é sinal de morte. Morte de coisas que já se foram e já não são mais. A cada perda sinto-me morrendo aqui dentro de mim. Mais um passo para o fim de mim mesmo, porque meus amigo se vão, e isso sempre leva uma parte de mim.

Um comentário:

Tônio disse...

aque lindo isso, credo.

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